<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-14435022</id><updated>2011-04-22T00:12:32.834-03:00</updated><title type='text'>Conversa Informal</title><subtitle type='html'>Seu Orlando de agora em diante passa a escrever nesse espaço em vez dos antigos saquinhos de pão</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://seuorlandodapadaria.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14435022/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://seuorlandodapadaria.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Orlando</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>35</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14435022.post-113734908690991880</id><published>2006-01-15T16:15:00.000-02:00</published><updated>2006-01-15T16:18:06.923-02:00</updated><title type='text'>Uma apologia ao Diabo</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;É preciso lembrar que ouvimos apenas uma versão da história: Deus escreveu todos os livros.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14435022-113734908690991880?l=seuorlandodapadaria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://seuorlandodapadaria.blogspot.com/feeds/113734908690991880/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14435022&amp;postID=113734908690991880&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14435022/posts/default/113734908690991880'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14435022/posts/default/113734908690991880'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://seuorlandodapadaria.blogspot.com/2006/01/uma-apologia-ao-diabo.html' title='Uma apologia ao Diabo'/><author><name>Orlando</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14435022.post-113720525914436050</id><published>2006-01-14T00:12:00.000-02:00</published><updated>2006-01-14T00:21:14.116-02:00</updated><title type='text'>Cerimônia de adeus a um mundo</title><content type='html'>&lt;span style="color: rgb(0, 0, 0);font-family:arial;font-size:85%;"  &gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Bem antes do Natal, falei, a pessoas próximas, de minhas cerimônias do adeus. Dizer de adeus amedronta as gentes. E celebrar finais, mais ainda. Alguns dos amigos deram pancadinhas na madeira para "isolar o azar". Ora, azar nada mais é senão a sorte contrária. Mas, por ser contrária, nem sempre significa desdita.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Azares mudam a existência. Por isso, para os alquimistas, azar era a própria pedra filosofal tão buscada e guardada, a pedra dos filósofos. Diz-se, alegoricamente, estar, no azar, o início da sabedoria. E quem a adquire pela prática, não apenas nos livros, acaba conhecendo os mistérios da vida. Os místicos acreditam que azar é o divino oculto no homem, o amor divino consubstanciado. Esse mistério transforma vidas, como a pedra filosofal muda o pedregulho em ouro. Transformar é, quase sempre, realizar a sorte contrária, ser levado a caminhos diferentes, talvez o eterno retorno. &lt;/span&gt;&lt;script&gt;&lt;!-- D(["mb","  Faço minhas\ncerimônias de adeus por saber que fim de ano é fim de mundo. Quando, do\nalto dos prédios, pessoas picam papéis velhos e inúteis, lançando-os em\ndireção aos céus para levarem-nos os ventos, elas dão, cerimonialmente,\nadeus a um mundo, a um tempo que acabou. Quando se limpam gavetas,\nquando se jogam fora objetos inúteis, vidros quebrados; quando se\nrompem situações indefinidas, quando se tira a poeira das coisas e\ntambém do coração - damos sinais de fim de mundo, de final de um tempo\ne, ao mesmo tempo, de fé e esperança em um reinício. Acaba-se um mundo\npara iniciar-se outro. Vive-se o &amp;quot;intermezzo&amp;quot; do tempo sagrado. Não à\ntoa, acontece a ceia do &amp;quot;Revéillon&amp;quot;, do &amp;quot;réveil&amp;quot;, do &amp;quot;rêve&amp;quot; — o sonho.  Minhas\ncerimônias do adeus, eu as fiz todas as que consegui. Recusei-me a\ndeixar teias de aranha no coração, cacos de telhas na alma, restos do\nque acabou, pedaços de comodismos, de hábitos preguiçosos. Deixar\nescombros vivos, isso, sim, dá azar, no sentido da desdita. Pois é\ndesditoso e infeliz preservar o que acabou, conservar o que se\nestragou, manter vivo o que morreu. São ruins, os espinhos na alma e\ncarne. Alimentar infelicidades e amarguras, manter tristezas como se\nestivessem grudadas na pele, mais do que tolice, parece-me desrespeito\npara com a vida. Quem tem medo da busca da felicidade — mesmo sabendo-a\nrelativa e momentânea na finitude humana — fica à procura do sentido de\nviver. E não há necessidade de qualquer sentido para estar-se vivo.  Têm\nsido suaves, minhas cerimônias de adeus. Suaves, serenas, leves e\nagradecidas. Agradeci às pessoas que — tendo sido companheiras em\nviagem por céus estrelados — cansaram-se, escolhendo ficar à beira do\ncaminho. Agradeci os que me importunaram, que me odiaram. Pois,\naprendendo a conhecê-los, reconheci a tolice de estar com eles. Mágoas\nque me causaram, morri nelas e, então, redimi-me. E agradeci — nas\nruínas do fim de mundo — o que permaneceu vivo e quieto e sereno, meu\nrefúgio, o lugar de voltar. Após o fim deste tempo e deste mundo,\naguardo a aventura de ser parte de novos outros. ",1] );  //--&gt;&lt;/script&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Faço minhas cerimônias de adeus por saber que fim de ano é fim de mundo. Quando, do alto dos prédios, pessoas picam papéis velhos e inúteis, lançando-os em direção aos céus para levarem-nos os ventos, elas dão, cerimonialmente, adeus a um mundo, a um tempo que acabou. Quando se limpam gavetas, quando se jogam fora objetos inúteis, vidros quebrados; quando se rompem situações indefinidas, quando se tira a poeira das coisas e também do coração - damos sinais de fim de mundo, de final de um tempo e, ao mesmo tempo, de fé e esperança em um reinício. Acaba-se um mundo para iniciar-se outro. Vive-se o "intermezzo" do tempo sagrado. Não à toa, acontece a ceia do "Revéillon", do "réveil", do "rêve" — o sonho. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Minhas cerimônias do adeus, eu as fiz todas as que consegui. Recusei-me a deixar teias de aranha no coração, cacos de telhas na alma, restos do que acabou, pedaços de comodismos, de hábitos preguiçosos. Deixar escombros vivos, isso, sim, dá azar, no sentido da desdita. Pois é desditoso e infeliz preservar o que acabou, conservar o que se estragou, manter vivo o que morreu. São ruins, os espinhos na alma e carne. Alimentar infelicidades e amarguras, manter tristezas como se estivessem grudadas na pele, mais do que tolice, parece-me desrespeito para com a vida. Quem tem medo da busca da felicidade — mesmo sabendo-a relativa e momentânea na finitude humana — fica à procura do sentido de viver. E não há necessidade de qualquer sentido para estar-se vivo. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Têm sido suaves, minhas cerimônias de adeus. Suaves, serenas, leves e agradecidas. Agradeci às pessoas que — tendo sido companheiras em viagem por céus estrelados — cansaram-se, escolhendo ficar à beira do caminho. Agradeci os que me importunaram, que me odiaram. Pois, aprendendo a conhecê-los, reconheci a tolice de estar com eles. Mágoas que me causaram, morri nelas e, então, redimi-me. E agradeci — nas ruínas do fim de mundo — o que permaneceu vivo e quieto e sereno, meu refúgio, o lugar de voltar. Após o fim deste tempo e deste mundo, aguardo a aventura de ser parte de novos outros. &lt;/span&gt;&lt;script&gt;&lt;!-- D(["mb","  Ora, temos\nmais conhecimento do que nossos ancestrais, mas não somos sábios como\neles. Sabendo de coisas, falta-nos a sabedoria de viver. Com um mínimo\ndela, pode-se — como os antepassados — viver ao ritmo harmônico da\nvida, do mundo, que também acolhe o caos. Quem for sábio em 2006, será\nvivaz em sua Primavera; dará frutos no seu Outono; transmitirá calor no\nVerão e recolher-se-á em seu Inverno. E enxergará que todo o mistério\nestá na repetição de Sol e Lua, nos sinais do dia e da noite. Há um ir\ne vir permanente, um morrer e renascer, um cansar-se e repousar, o\nmeio-dia de sol a pino, a tarde de cansaço, o anoitecer de segredos, a\nmadrugada do silêncio.  Não irei, neste ano, viver como se a\nTerra fosse plana, imaginando horizontes apenas próximos ou distantes\ndemais. Quero viver 2006 na certeza do círculo, do giro, do movimento,\nda visão platônica de tempo, &amp;quot;imagem móvel da eternidade.&amp;quot; Preciso\nviver a consciência verdadeira de que, ao final de cada dia, não é o\nSol que se põe, mas é a Terra que se prostra, como que em agradecimento\ne em despedida. E que, em cada amanhecer, não é o Sol que nasce, mas é\na Terra que retorna, grata pela noite de repouso. E saudosa da luz.  Em\nvez de ver poentes e amanheceres, tentarei — em meu crepúsculo — ser\npoente de mim mesmo, curvando-me diante do &amp;quot;chiaroscuro&amp;quot; da vida.\nCurvado e em oração. Pois sei que, após a noite longa, será dia outra\nvez.  Nesse final de tempo e de mundo, devo apenas render graças. As coisas, todas elas, já me foram dadas. \n \n&lt;/span&gt;&lt;font&gt;&lt;strong&gt; \n                                \'Turco lazarento\'&lt;br /&gt;\n&lt;br /&gt;\n&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;font&gt;Caipiracicabano, eu o sou.\nGraças a Deus. E tenho certeza: jamais suportaria nascer em outro\nlugar. Pois, se tivesse acontecido, eu apenas espiaria um mundo\nestranho, voltando a esconder-me no útero. Minha terra tem doçuras de\num jardim à beira rio plantado, um rio milagroso. Tão milagroso que,\nparecendo morrer, renasce às primeiras chuvas. E enternece as coisas e\nos homens. Vendo-o tão belo e generoso, tem-se a certeza de haver um\ndeus artista, criador de maravilhas.",1] );  //--&gt;&lt;/script&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Ora, temos mais conhecimento do que nossos ancestrais, mas não somos sábios como eles. Sabendo de coisas, falta-nos a sabedoria de viver. Com um mínimo dela, pode-se — como os antepassados — viver ao ritmo harmônico da vida, do mundo, que também acolhe o caos. Quem for sábio em 2006, será vivaz em sua Primavera; dará frutos no seu Outono; transmitirá calor no Verão e recolher-se-á em seu Inverno. E enxergará que todo o mistério está na repetição de Sol e Lua, nos sinais do dia e da noite. Há um ir e vir permanente, um morrer e renascer, um cansar-se e repousar, o meio-dia de sol a pino, a tarde de cansaço, o anoitecer de segredos, a madrugada do silêncio. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Não irei, neste ano, viver como se a Terra fosse plana, imaginando horizontes apenas próximos ou distantes demais. Quero viver 2006 na certeza do círculo, do giro, do movimento, da visão platônica de tempo, "imagem móvel da eternidade." Preciso viver a consciência verdadeira de que, ao final de cada dia, não é o Sol que se põe, mas é a Terra que se prostra, como que em agradecimento e em despedida. E que, em cada amanhecer, não é o Sol que nasce, mas é a Terra que retorna, grata pela noite de repouso. E saudosa da luz. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Em vez de ver poentes e amanheceres, tentarei — em meu crepúsculo — ser poente de mim mesmo, curvando-me diante do "chiaroscuro" da vida. Curvado e em oração. Pois sei que, após a noite longa, será dia outra vez.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Nesse final de tempo e de mundo, devo apenas render graças. As coisas, todas elas, já me foram dadas.&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14435022-113720525914436050?l=seuorlandodapadaria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://seuorlandodapadaria.blogspot.com/feeds/113720525914436050/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14435022&amp;postID=113720525914436050&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14435022/posts/default/113720525914436050'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14435022/posts/default/113720525914436050'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://seuorlandodapadaria.blogspot.com/2006/01/cerimnia-de-adeus-um-mundo.html' title='Cerimônia de adeus a um mundo'/><author><name>Orlando</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14435022.post-113711849904920710</id><published>2006-01-13T00:07:00.000-02:00</published><updated>2006-01-13T00:14:59.066-02:00</updated><title type='text'>Cada louco com a sua mania</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Como eu sempre digo, o mundo dá suas voltas e as coisas repetem-se, repetem-se, repetem-se e tornam a se repetir. Abaixo segue um texto publicado originalmente no mês de Fevereiro de 2003 no &lt;a href="http://www.wunderblogs.com/canjicas"&gt;Blog do meu amigo Porfírio&lt;/a&gt;. Qualquer semelhança com algo que vocês tenham ouvido por aí é mera coincidência meus caros!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;/span&gt; &lt;p style="font-style: italic; font-family: verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Tento todo dia ser um rapaz tolerante. Me esforço de verdade. Mas às vezes não dá. Na capa de um jornal desta semana lia-se a notícia de que 244 fiéis foram pisoteados até a morte durante o &lt;em&gt;haj&lt;/em&gt;, uma peregrinação anual muçulmana a Meca. Vejam bem, 244 mortos e, estava lá, o mesmo número de feridos. Aí alguém me pergunta: mas o que é esse &lt;em&gt;haj&lt;/em&gt;? Olhem, não sei bem. Só ouvi que o ponto culminante foi o apedrejamento de pilares (!?) que representam o diabo (!!??) por mais de dois milhões de fiéis (!!!!). Lida a matéria a gente fica imaginando a cena. Dois milhões de muçulmanos tacando pedras em uma colunata que representa o capeta. Claro que boa coisa não ia dar.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p style="font-style: italic; font-family: verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;A notícia me causou um certo inconformismo, ainda mais depois de ler a declaração do Ministro Saudita para Assuntos de Peregrinação (não é piada) e Apedrejamentos (é piada), Iyad bin Amin Madani: &lt;em&gt;"todas as precauções foram tomadas para evitar um incidente desse tipo, mas esse é o desejo de Deus". &lt;/em&gt;Precauções foram tomadas? Que tipo de precauções podem ser tomadas numa situação dessas? Filas com senhas para um apedrejamento civilizado do capeta? Estilingues com protetores e mira laser? Capacetes nos fiéis das primeiras filas? Pedras emborrachadas? E outra coisa que não me entra na cabeça. Se era o desejo de Deus matar 244 fiéis naquela tarde, de que adiantariam os dispositivos seculares de proteção providenciados por bin Amim? Imaginem a bizarra situação. Deus sentado na cadeira assistindo ao &lt;em&gt;haj &lt;/em&gt;enquanto come pipocas.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p style="font-style: italic; font-family: verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;"Agora vai. Vai, pisa na cabeça dele! Vai!! Ué? Mas o que é aquilo? Droga, um capacete!!"&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p style="font-style: italic; font-family: verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Discutir se era mesmo o desejo de Deus pisar na cabeça de 244 incautos, que, por sua vez, tiveram a excelente idéia de se juntar a outros 1.999.756 iluminados para tacar pedras no capeta, não é ponto. Entrar em tal discussão me faria tão biruta quanto os próprios. O ponto aqui é imaginar o Ministro para Assuntos de Peregrinação, bin Amin, tomando precauções para evitar que a vontade de Deus seja atendida. Eu não entendo bem isso. Como é que um sacerdote pode adotar providências para que a vontade de Deus &lt;em&gt;não &lt;/em&gt;se realize? Se era um desejo Divino, evitar o pisoteamento de inocentes não seria pecado?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p style="font-style: italic; font-family: verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Sim, sim, seria pecado. Mas aí vem o outro e diz: &lt;em&gt;bin Amin tentou mas não conseguiu; Deus é onipotente&lt;/em&gt;. Bem. Na minha humilde e correta opinião, essa coisa de livre arbítrio e onipotência não parece funcionar nas religiões. Se Deus é onipotente, então não temos arbítrio algum, muito menos para pecar. Se não é onipotente, então não é Deus. É no máximo um subgerente encarregado da supervisão do departamento de seres irracionais e fenômenos geológicos do Universo. A resposta padrão a essa crítica é que Deus é onipotente, mas nos deu o livre arbítrio. Ou seja, Ele quis que nós não nos submetêssemos à Sua vontade. Pra que? Apenas para nos punir quando nós não nos submetêssemos à Sua vontade.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p style="font-style: italic; font-family: verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Enfim, vai entender...&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14435022-113711849904920710?l=seuorlandodapadaria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://seuorlandodapadaria.blogspot.com/feeds/113711849904920710/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14435022&amp;postID=113711849904920710&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14435022/posts/default/113711849904920710'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14435022/posts/default/113711849904920710'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://seuorlandodapadaria.blogspot.com/2006/01/cada-louco-com-sua-mania.html' title='Cada louco com a sua mania'/><author><name>Orlando</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14435022.post-113703803461268167</id><published>2006-01-12T01:48:00.000-02:00</published><updated>2006-01-12T01:54:31.956-02:00</updated><title type='text'>Um garoto traumatizado</title><content type='html'>&lt;span style="color: rgb(0, 0, 0);font-family:arial;font-size:85%;"  &gt;E o que é que tenho lá eu com isso? Foi o que pensei com os meus botões. E, ainda outra vez, dei-me conta da estupidez dessa expressão tão antiga. Pois, na verdade, quem é que pensa com os seus botões? E, no meu caso, que besteira era aquela, já que eu estava de camiseta?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois, de repente, na discussão entre os jovens pais e o filho adolescente, vi-me feito testemunha. Sabem, o filme &lt;i&gt;O Poderoso Chefão&lt;/i&gt;? Já o revi umas 250 vezes, sou capaz de detalhar cena por cena, sei de toda história, o que acontece, como termina, quem faz o quê. Filme de pais e filhos, de tão iguais e repetitivos já se me tornaram, também, enfadonhos. É crueldade quererem obrigar-me a rever uma história milenar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde minha própria adolescência, nunca mais me livrei de adolescentes e os seus argumentos asnáticos. Dependendo do fígado, é possível ouvi-los por alguns minutos. E, hoje — por mais a ciência e a filosofia tenham-se desenvolvido — parece-me inacreditável constatar como são sempre iguais esses bichinhos movidos a hormônios. Lá estão eles, adolescentes do terceiro milênio, iguaizinhos aos do segundo, mudando apenas de camiseta ou de corte de cabelos: a mesma falta de higiene, a preguiça, a arrogância, a libido irrompida sem que eles saibam o que lhes acontece no corpo, coitadinhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E eu, em meio ao tiroteio: o garoto discutindo com os pais, falando de direitos, exigindo-os, defendendo a sua liberdade de fazer, de decidir. Lá das funduras dos tempos, ouvi um filho meu, nos seus 15 anos, dizendo: "Sou eu que mando na minha vida, você não tem nada a ver com isso." Agi rápido, feito o John Wayne. Arrumei a mala dele, coloquei-a na porta, estiquei o braço e apontei o dedo: "Rua! Vá, então, cuidar de sua vida." Ele foi. E voltou algumas horas depois.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por falar nisso, numa madrugada dos meus 14, 15 anos, voltei à minha casa após a noitada de serestas e bebedeiras. Aos 14, 15 anos, que tempos! Entrei devagarinho, luzes apagadas, o violão pendurado no pescoço. Então, no meio da escuridão, ouvi a voz tonitroante, poderosa como se fosse Zeus falando: "Onde você pensa que vai?" Não tive tempo de responder. Meu pai tirou-me o violão das mãos e arrebentou-o na minha cabeça. Até hoje ouço o som: o violão espatifou-se acho que em lá menor. Ou em dó? &lt;script&gt;&lt;!-- D(["mb","  Mas\no que tinha, eu, a ver com a discussão dos pais com o filho\nadolescente? Eles me olhavam, todos eles, como que à espera de um\ngesto, de uma palavra minha. Novamente, a imagem de meu pai retornou,\nnesse mistério fascinante de, quando mais um homem vive e envelhece,\nmais passa a entender o seu próprio pai. E a parecer-se com ele. Vem-me\nà lembrança aquele silêncio sapiencial: filhos, netos, genros, noras,\nfalando, conversando, a algaravia de famílias que pareciam tribos — meu\npai, em silêncio. Não falava e acho que nem ouvia. Um dia, explicou o\nseu mutismo eloqüente: &amp;quot;Não tenho o que falar. Vocês sabem tudo.&amp;quot;  Pois\nbem. Lá estava eu, feito testemunha dessa milenar tragédia humana:\nbrigas entre pais e filhos. O garoto comportara-se de maneira\noriginalíssima, gênio da raça, fazendo o que nenhum menino, em tempo\nalgum, fizera antes: matara aulas, falsificara a assinatura do pai,\nestava ameaçado de reprovação, botara uma tatuagem na barriga, fora\npego com um maço de cigarros. Para se ver que um garotinho original,\ndiferenciado, ô, caramba!  Então, a jovem senhora me perguntou o\nque, no lugar dela, eu faria. Estupidamente, esqueci-me de que &amp;quot;em\nbriga de jacu, nhambu não pia.&amp;quot; E, certamente por alguma questão\nesclerótica, não me lembrei de que &amp;quot;em boca fechada não entra mosca.&amp;quot;\nAi de mim, opinei: &amp;quot;Eu botaria o garoto de castigo. Uma semana sem\ncomputador e sem comer hambúrguer no shopping.&amp;quot;  O menino\narrebitou o nariz, colocou as mãos na cintura, menino esbugalhou os\nolhos como se tivesse visto um fantasma: &amp;quot;Vá, vá, vá, você é antigo.&amp;quot; E\no pai dele, com olhos ainda mais esbugalhados: &amp;quot;Onde já se viu, uma\nsemana sem shopping, sem computador?&amp;quot; E a mãe, os olhos lacrimejantes,\nmorrendo de pena do menino: &amp;quot;Seus métodos são medievais. Eu jamais\nfaria isso com um filho meu, não quero ter filhos traumatizados.&amp;quot;  Todos voltaram-se contra mim. E, entre si, fizeram as pazes. Com uma certeza: o menino não ficará traumatizado. ",1] );  //--&gt;&lt;/script&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o que tinha, eu, a ver com a discussão dos pais com o filho adolescente? Eles me olhavam, todos eles, como que à espera de um gesto, de uma palavra minha. Novamente, a imagem de meu pai retornou, nesse mistério fascinante de, quando mais um homem vive e envelhece, mais passa a entender o seu próprio pai. E a parecer-se com ele. Vem-me à lembrança aquele silêncio sapiencial: filhos, netos, genros, noras, falando, conversando, a algaravia de famílias que pareciam tribos — meu pai, em silêncio. Não falava e acho que nem ouvia. Um dia, explicou o seu mutismo eloqüente: "Não tenho o que falar. Vocês sabem tudo."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois bem. Lá estava eu, feito testemunha dessa milenar tragédia humana: brigas entre pais e filhos. O garoto comportara-se de maneira originalíssima, gênio da raça, fazendo o que nenhum menino, em tempo algum, fizera antes: matara aulas, falsificara a assinatura do pai, estava ameaçado de reprovação, botara uma tatuagem na barriga, fora pego com um maço de cigarros. Para se ver que um garotinho original, diferenciado, ô, caramba!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, a jovem senhora me perguntou o que, no lugar dela, eu faria. Estupidamente, esqueci-me de que "em briga de jacu, nhambu não pia." E, certamente por alguma questão esclerótica, não me lembrei de que "em boca fechada não entra mosca." Ai de mim, opinei: "Eu botaria o garoto de castigo. Uma semana sem computador e sem comer hambúrguer no shopping."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O menino arrebitou o nariz, colocou as mãos na cintura, menino esbugalhou os olhos como se tivesse visto um fantasma: "Vá, vá, vá, você é antigo." E o pai dele, com olhos ainda mais esbugalhados: "Onde já se viu, uma semana sem shopping, sem computador?" E a mãe, os olhos lacrimejantes, morrendo de pena do menino: "Seus métodos são medievais. Eu jamais faria isso com um filho meu, não quero ter filhos traumatizados."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos voltaram-se contra mim. E, entre si, fizeram as pazes. Com uma certeza: o menino não ficará traumatizado.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14435022-113703803461268167?l=seuorlandodapadaria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://seuorlandodapadaria.blogspot.com/feeds/113703803461268167/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14435022&amp;postID=113703803461268167&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14435022/posts/default/113703803461268167'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14435022/posts/default/113703803461268167'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://seuorlandodapadaria.blogspot.com/2006/01/um-garoto-traumatizado.html' title='Um garoto traumatizado'/><author><name>Orlando</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14435022.post-113337232287644737</id><published>2005-11-30T15:30:00.000-02:00</published><updated>2005-11-30T15:38:42.906-02:00</updated><title type='text'>Minha formidável esposa</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: left;"&gt;    Sim, sou um homem de 72 anos de idade. Experiente. Mas experiência não quer dizer conhecimento. Não sei nada sobre mulheres, por exemplo. As poucas mulheres que conheci na minha vida, admirei, olhei e tentei decifrar. Não consegui. Nunca deixaram de ser um mistério. Nunca deixaram de me surpreender. Hoje, o importante é desfrutar de sua presença.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    Não percebi isso logo. Mas, depois, aprendi a ouví-las, a valorizar os silêncios, os olhares. Momentos em que parece não acontecer nada, e acontece tudo. Aprendi a respeitar sua intuição, inteligência. E aprendi a amá-las. Estou há 40 anos casado com a mesma mulher, e sou fiel. Nunca me obriguei a ser fiel a minha mulher. Não é uma norma ou um pacto a respeitar. Eu e Lili sempre dissemos que, se alguém cruzar com alguém, azar. Mas sem mentiras. Estamos juntos porque queremos, ninguém nos obriga. Nos obrigamos a ser leais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    Nenhuma mulher que conheci depois de Lili ganha dela. As observo, posso admirá-las. Estou aberto ao que possa acontecer, mas não tem jeito. A Lili sempre ganha!&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14435022-113337232287644737?l=seuorlandodapadaria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://seuorlandodapadaria.blogspot.com/feeds/113337232287644737/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14435022&amp;postID=113337232287644737&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14435022/posts/default/113337232287644737'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14435022/posts/default/113337232287644737'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://seuorlandodapadaria.blogspot.com/2005/11/minha-formidvel-esposa.html' title='Minha formidável esposa'/><author><name>Orlando</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14435022.post-113242565664177957</id><published>2005-11-19T16:37:00.000-02:00</published><updated>2005-11-19T16:40:56.653-02:00</updated><title type='text'>Poesia numa hora dessas?!</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: left;"&gt;"Porque eu te amo, tu não precisas de mim.&lt;br /&gt;Porque tu me amas, eu não&lt;span style="font-weight: bold;"&gt; &lt;/span&gt;preciso de ti.&lt;br /&gt;No amor, jamais nos deixamos de completar.&lt;br /&gt;Somos, um para o outro, deliciosamente desnecessários."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                                                                                 &lt;a href="http://www.secrel.com.br/jpoesia/rfrei01.html"&gt;Roberto Freire&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14435022-113242565664177957?l=seuorlandodapadaria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://seuorlandodapadaria.blogspot.com/feeds/113242565664177957/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14435022&amp;postID=113242565664177957&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14435022/posts/default/113242565664177957'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14435022/posts/default/113242565664177957'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://seuorlandodapadaria.blogspot.com/2005/11/poesia-numa-hora-dessas.html' title='Poesia numa hora dessas?!'/><author><name>Orlando</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14435022.post-113033599031905702</id><published>2005-10-26T12:07:00.000-02:00</published><updated>2005-11-22T18:12:50.723-02:00</updated><title type='text'>O Brasil das cabeças desarrumadas</title><content type='html'>O resultado do referendo fez um bem ao país. Instaurou o império das cabeças desarrumadas, e o Brasil precisa delas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma pessoa de cabeça desarrumada é assim: defende a pena de morte e o ensino gratuito nas universidades públicas. É a favor do aborto e se diz católico. Votou Lula em 2002 e José Serra em 2004. É contra as cotas nas universidades e milita numa Ong de defesa da Mata Atlântica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por desarrumada, essa cabeça pode pensar tudo ao contrário e não faz a menor diferença. A desarrumação determina e incentiva o debate. Opõe-se a um mundo de idéias ordenadas no qual a pessoa deve se preocupar em “pensar direito”, entendendo-se que sempre haverá alguém explicando o que vem a ser “pensar direito”. Houve uma época em que a expressão “raciocinar em bloco” designava, com alguma ironia, inteligências ou culturas privilegiadas, sacerdotes do bem-pensar. Aceitando-se as virtudes do mestre, esperava-se sua opinião e ia-se atrás. Essa atitude tanto pode colocar uma pessoa na condição de discípulo de um grande pensador como pode embalá-la na treva da ignorância. O segundo caso ocorre com maior freqüência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As cabeças arrumadas brasileiras, atraídas pela construção de modelos intelectuais harmônicos, dão pouca atenção ao funcionamento da sociedade. Preferem evitar o assunto. Alguns exemplos:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O bem-pensar urbano do Rio de Janeiro legislou que é proibido construir apartamentos com menos de 30 metros quadrados. Coisa de gente muito bem educada. Faltou dizer onde vai morar uma família que não tem dinheiro para essa metragem. Na favela, por certo. A discussão dessa lei de incentivo à favelização está fora do debate urbano carioca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O bem pensar tributário estabeleceu que os serviços de telefonia devem ser taxados com mão-de-ferro, pois vai-se tomar dinheiro do andar de cima para custear investimentos que atenderão ao de baixo. Deu no seguinte: o patrão fala com Paris de graça pelo Skype e a empregada paga R$ 5 por um telefonema de dez minutos para Bangu. Um imposto destinado a buscar Justiça produz injustiça, mas o tema está fora da agenda dos teletecas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O bem pensar diplomático levou Lula a propor uma cruzada mundial contra a fome. Fez isso em Genebra, Paris e Nova York. Passados dois anos, contou que gostaria de arrumar recursos para combater a desnutrição da África, aumentando as taxas de embarque nos aeroportos brasileiros. Falta dizer aos usuários do Galeão que eles pagam uma das taxas mais altas do mundo, o dobro do que se cobra no aeroporto Kennedy.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Num caso mais farisaico, tome-se o exemplo da legislação penal brasileira. Bem pensada, faz inveja a um advogado sueco. São muito os doutores que fazem palestras pelo mundo descrevendo essa jóia de modernidade. Jamais um ministro da Justiça contará que as maravilhas são parolas. O que vale mesmo é a lei da massa. O bandido que entra na prisão passa a uma nova instância judicial, a de seus pares. Maltratou a mãe? Morre. Estupro? Se não morrer, sofre o que fez. Respeito, só para os estelionatários.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No Brasil das cabeças desarrumadas cada tema poderá ser discutido e avaliado isoladamente. Muitas opiniões resultarão contraditórias, mas é esse exercício do juízo individual que enriquece o debate público. Harmonia e nexo podem ser desejáveis, mas é preferível conviver com pessoas de cabeça desarrumada cujas opiniões não formam um nexo final do que aturar gente que tem muito nexo mas não se responsabiliza pelas opiniões que dá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;®Elio Gaspari&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14435022-113033599031905702?l=seuorlandodapadaria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://seuorlandodapadaria.blogspot.com/feeds/113033599031905702/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14435022&amp;postID=113033599031905702&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14435022/posts/default/113033599031905702'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14435022/posts/default/113033599031905702'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://seuorlandodapadaria.blogspot.com/2005/10/o-brasil-das-cabeas-desarrumadas.html' title='O Brasil das cabeças desarrumadas'/><author><name>Orlando</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14435022.post-112975128952446260</id><published>2005-10-19T17:44:00.000-02:00</published><updated>2005-10-19T17:51:22.290-02:00</updated><title type='text'>Poesia numa hora dessas?!</title><content type='html'>&lt;div align="left"&gt;&lt;strong&gt;                                                                         Agora a noite&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde cedo, você me deu um lugar à sua janela. &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;Conversei com seus servos silenciosos divulgando suas mensagens pelo caminho e cantei com seu coral celeste. &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;Vi o mar calmo em silêncio imensurável e a borrasca lutando para revolver o mistério das profundezas.&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;Observei a terra em sua pródiga festa juvenil em suas horas lentas de sombras aninhadas. &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;Os que semearam escutaram minhas saudações, e os que trouxeram a colheita para casa - ou as cestas vazias -cruzaram com minhas canções. &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;Assim, terminou meu dia, e, agora à noite, canto minha última canção para dizer que amei seu mundo.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14435022-112975128952446260?l=seuorlandodapadaria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://seuorlandodapadaria.blogspot.com/feeds/112975128952446260/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14435022&amp;postID=112975128952446260&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14435022/posts/default/112975128952446260'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14435022/posts/default/112975128952446260'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://seuorlandodapadaria.blogspot.com/2005/10/poesia-numa-hora-dessas.html' title='Poesia numa hora dessas?!'/><author><name>Orlando</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14435022.post-112973493167767360</id><published>2005-10-19T13:12:00.000-02:00</published><updated>2005-10-19T13:15:31.686-02:00</updated><title type='text'>Cultura formidável</title><content type='html'>Diante da ameaça da marcha-à-ré em Brasília, o Ministro tirou logo dos arcanos de sua cultura uma referência ao Palácio de Inverno. É no que dá a cultura: o cara pensa que todo mundo sabe do que ele está falando e vai ver, só ele e eu sabemos, ou até nem eu nem ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, como não sei, explico: o Palácio de Inverno foi onde os comunas entraram, em Outubro de 17, e com dois ou três safanões acabaram com o "governo provisório", e praticamente mil anos de monarquia russa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escrevo esta nota porque, exatamente no momento em que O Ministro falava sobre o Palácio de Inverno, eu estava lendo o esplêndido livro de Solon Volkov, São Petersburgo, uma história cultural (Record. 583 pgs.), presente de minha amiga Claudete, e encontrei descrição do Palácio, que passo a vocês:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Loura, bela, jovial e cheia de sensualidade", segundo Puchkin, Isabela, filha de Pedro, o Grande (*), deu toda força a seu favorito, o arquiteto italiano Francesco Rastelli, para que realizasse seus sofisticados projetos arquitetônicos. O maior triunfo de Rastelli foi o Palácio de Inverno, residência imperial sobre o Neva. A gigantesca construção não apresenta volume nem presunção excessivos, apesar de seus mais de dois mil aposentos, duas mil portas e enormes janelas. As paredes do Palácio, pintadas de azul claro, pareciam dissolver-se. O Palácio reluzia contra o pálido céu do norte e o rio de aço cinzento. Suas colunas brancas, dispostas em ritmo sincopado, criavam um inesperado efeito de movimento. No reflexo que projetava sobre as águas do Neva, dava a impressão de estar flutuando. Custou dois milhões e meio de rublos, equivalente a 45 toneladas de prata."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maravilha. Apenas uma pergunta: Palácio de Inverno na Rússia não é um pleonasmo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(*) Mulherengo, despótico, violento, pornográfico, Pedro era grande (até no físico, tinha dois metros de altura), em tudo que fazia, inclusive a construção da capital do gigantesco império em local absolutamente inviável, um Juscelino das estepes.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14435022-112973493167767360?l=seuorlandodapadaria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://seuorlandodapadaria.blogspot.com/feeds/112973493167767360/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14435022&amp;postID=112973493167767360&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14435022/posts/default/112973493167767360'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14435022/posts/default/112973493167767360'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://seuorlandodapadaria.blogspot.com/2005/10/cultura-formidvel.html' title='Cultura formidável'/><author><name>Orlando</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14435022.post-112897255657090317</id><published>2005-10-10T16:24:00.000-03:00</published><updated>2005-10-10T16:29:16.576-03:00</updated><title type='text'>Marisa e os quintais</title><content type='html'>Marisa é leitora deste blog e me honra acompanhando-me as escrevinhações. Nunca a vi. Não lhe sei sequer o som da voz. Mas já lhe descobri a sensibilidade generosa de artista plástica, seus olhos de ver o que poucos – em tempos tão apressados – sequer enxergam. Dela – por esse mistério e milagre da internet – posso dizer ter-se tornado amiga, esse fantástico vínculo humano que une escribas e leitores, artistas e público.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois vejam que a Marisa me contou ter sido convidada a participar de uma exposição cujo tema são “espaços de lembranças”. E os dela são quintais nos quais mostrará varais de roupas. Ela mesma conta: “Tem o varal da cozinha, cheio de panos de pratos; tem o varal ‘essa noite tem balada’, com a calça jeans, meias e a camisa do rapaz; tem o varal da praia com os shorts, biquínis, coqueiros...”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marisa faz uma observação que apenas a alma dos artistas consegue captar: “Acho que, se você for a uma casa, e só visitar o quintal, pelo varal dá para saber 40% da vida daquela família.” Foi quando – e, então – comecei a pensar em quintais e em varais – cadê eles? E os meus, aqueles tão antigos, tão distantes, com as fraldas de minha penca de filhos, um mar de fraldas – onde ficaram os meus varais, onde se esconderam os quintais? Meu lugarzinho de escrever e de juntar os livros fica no alto da casa, quase um sótão. E, nele, há uma pequena janela através da qual consigo ver o jardim, o quintal, pedaços do céu. Corri espiar: cadê o varal de meu quintal? Espiei e vi. E lá estavam, penduradas, algumas calças, camisas, que minhas roupas íntimas eu mesmo as lavo. E percebi que Marisa tem razão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais, no entanto, do que perguntar-me dos quintais – onde estão, cadê eles? – passei a querer entender como é possível haver infância sem quintais. Como pudemos ser tão estúpidos a ponto de negar, às crianças, o direito de brincar em quintal, de pisar na terra, de subir em árvore, de saltar o muro do vizinho? Como se pode ser menino, se nunca se apanhou jabuticaba no pé, se nunca se pendurou em galho de árvore, se não se sabe o que é galinha ciscando no chão, galo cantando; se não se sente o cheiro de terra molhada da chuva, se não se tira o “cascão dos pés”, do barro pisado, da bola chutada no fundo do quintal; se não se “pula amarelinha”, se não se canta cantiga de roda, meninos e meninas treinando para ser adultos? Como pode haver crianças sem quintais? E – se não experimentaram quintais – como chegarão a ser homens e mulheres em toda a plenitude?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marisa me contou ter saído por aí, fotografando quintais do mundo todo. Isso significa, portanto, que ainda existem. Mas não consigo imaginar como sejam eles, pois carrego, comigo, meus “espaços de lembranças” que são imensos, enormes, indescritíveis quintais que – mesmo nos lugares mais centrais das cidades – eram, ao mesmo tempo, pomares e jardins. E a passarinhada e as borboletas eram íntimas das famílias, entrando pelas janelas, invadindo salas, espiando nos quartos. Quantas pessoas saberiam dizer da última vez quando um passarinho lhe cantou à janela? E qual a cor das asas da última borboleta que viu voejar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sinto que devo render graças, ainda mais. Pois nunca consegui viver sem quintais. E, reverenciar a vida, tenho meu livro de orações matutinas, um estranho livro, diferente dos livros santos dos fiéis. Minhas graças, eu as rendo abrindo, antes de iniciar o trabalho, meu surrado e quase ensebado Pablo Neruda, sua obra póstuma, O Livro das Perguntas. Leio, pela manhã, para saber o que Neruda indaga e, então, aprender.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escrevendo sobre quintais, li o que, na minha manhã, Neruda perguntou: “Como se chama uma flor que voa de pássaro em pássaro?” A Marisa sabe responder.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14435022-112897255657090317?l=seuorlandodapadaria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://seuorlandodapadaria.blogspot.com/feeds/112897255657090317/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14435022&amp;postID=112897255657090317&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14435022/posts/default/112897255657090317'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14435022/posts/default/112897255657090317'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://seuorlandodapadaria.blogspot.com/2005/10/marisa-e-os-quintais.html' title='Marisa e os quintais'/><author><name>Orlando</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14435022.post-112853237326928547</id><published>2005-10-05T14:05:00.000-03:00</published><updated>2005-10-05T14:12:53.276-03:00</updated><title type='text'>As time goes by...</title><content type='html'>Mesmo sendo incansável leitor de "Superinteressante" e esbaldando-me com almanaques de cultura inútil, fiquei surpreso. Quando, lá, iria, eu, pensar na quantidade de pipoca que comemos, os brasileiros? E olhe que tenho aprendido coisas de vital importância para a vida. Por exemplo: gota d`água, ao contrário do que se pensa, não é redonda. Conforme o tamanho, fica achatada como hambúrguer ou assume o desenho de um pára-quedas. E mais: os micos-leões pretos e dourados são, em sua maioria, destros. Não é formidável?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Espantou-me saber que o Brasil é – depois dos Estados Unidos – o maior consumidor de pipoca no mundo: 70 mil toneladas por ano. Os gringos comem 400 mil toneladas e ainda reclamam de obesidade. Mas, penso eu, deve haver erro nesses cálculos. Nos números brasileiros, trata-se de pipoca, pipoca mesmo, ou de "pop corn"? Porque, parecendo a mesma coisa, não são. "Pop corn" é milho de gringo; pipoca é nossa, muito nossa, de índio. Certo dia, o tapuia viu que, no fogo, o milho pulava e fazia "plof". Um monte de milho também pulava e fazia "plof, plof, plof". Índio gritou: "pi poc". Ou seja: "a pele que estala". Batizada estava, pois, a gloriosa pipoca, bênção da Ceres romana e da Deméter grega.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ora, é fácil entender porque "pop corn" não é pipoca. Quem tem alguma erupção na pele, fala: "Minha pele empipocou" – ou não? Quando o jogador do São Paulo dá um pulinho pra cá, outro pra lá, fala-se dele o quê? "Pipoqueiro, pare de pipocar." Não se fala de pele "pop corneada" ou que jogador "pop corneô", até mesmo para não se induzir a outras e más interpretações. São, pois, números comprometidos. No cinema, para microondas, vende-se "pop corn", que é pipoca para bobo ver e comer. Tem nome de gringo, custa mais caro, mas vem de Bento Gonçalves. E, aqui entre nós, milho de pipoca de verdade, pipoca pipoca mesmo, essa se compra em feira. E gente fina não come pipoca de feira em cinema. Mas dá para pensar: a rede Cinemark – nas suas 290 salas em 19 cidades – vendeu 5 milhões de sacos de "pop corn" por ano. Com Coca Cola. É cultura de gringo. Cujo refinamento, aliás, se vê em delicados hábitos de alguns personagens de filmes: lavar o rosto e escovar os dentes na pia da cozinha, amar sem tomar banho. Logo, virá a moda de caviar com ketchup. Brasileiro, imitador, pensará ser o auge da pós-modernidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto a cinema, admito ter minhas frescuras, que o pessoal do "prafrentex" diz ser coisa de "elitchista". Que seja. Mas, convenhamos: cinema não é a sala de tevê da casa de cada um. Ou é e eu não sabia. Antes, o que se permitia era o garoto com o tabuleiro, anunciando, antes de iniciar o filme: "balêro, balêro". E vendia bala, chicletes e amendoim. Para o escurinho do cinema, bastava. Ora, quem leva pipoca e bebida à igreja? E, à missa, quem lambe os beiços comendo hambúrguer, mostarda e ketchup? Cinema é, também, templo. De arte. Que exige postura, silêncio, como teatros e bibliotecas. Se há lugares públicos que separam ambientes – fumantes e não fumantes, por exemplo – por que cinemas não criam sessões optativas: cine-filme, cine-lanchonete?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fritura e romance não combinam. Acho. Imagine a cena final de "Casablanca", o Humphrey Bogart deixando a Ingrid Bergmann ir-se, "As times goes by" machucando a alma. E, ao lado, um desgraçado mastigando e chupando canudinho: "ploc, ploc" "glu, glu, glu". Não há sonho que sobreviva. Mas isso – quê fazer? –é coisa de "elitchista". Ou de nazista. Né?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14435022-112853237326928547?l=seuorlandodapadaria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://seuorlandodapadaria.blogspot.com/feeds/112853237326928547/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14435022&amp;postID=112853237326928547&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14435022/posts/default/112853237326928547'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14435022/posts/default/112853237326928547'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://seuorlandodapadaria.blogspot.com/2005/10/as-time-goes-by.html' title='As time goes by...'/><author><name>Orlando</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14435022.post-112837891772331680</id><published>2005-10-03T19:30:00.000-03:00</published><updated>2005-10-03T19:35:17.730-03:00</updated><title type='text'>Risada final</title><content type='html'>A dupla PSDB-PFL acredita que com bons malabarismos salva seus caixeiros no julgamento das CPIs. Engano. Do jeito que as coisas marcham, o PT vai para a campanha eleitoral com as seguintes bandeiras:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1) No nosso governo Paulo Maluf foi para a cadeia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2) No nosso governo foram presas duas mil pessoas por conta de investigações federais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3) No nosso governo chamaram o presidente do Banco Central de sonegador, a Receita Federal passou dez meses examinando mil páginas da contabilidade de Henrique Meirelles e concluiu que ele tinha direito a uma restituição de R$ 148.500 (nada a ver com a dislexia com que arrolava um patrimônio para a Receita e outro para a Justiça Eleitoral).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4) No nosso governo instalaram três CPIs simultâneas e ...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;®Elio Gaspari&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14435022-112837891772331680?l=seuorlandodapadaria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://seuorlandodapadaria.blogspot.com/feeds/112837891772331680/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14435022&amp;postID=112837891772331680&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14435022/posts/default/112837891772331680'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14435022/posts/default/112837891772331680'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://seuorlandodapadaria.blogspot.com/2005/10/risada-final.html' title='Risada final'/><author><name>Orlando</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14435022.post-112837096835629648</id><published>2005-10-03T17:10:00.000-03:00</published><updated>2005-10-03T17:22:48.363-03:00</updated><title type='text'>Lembranças</title><content type='html'>Eu digo ser tartaruga, mas não garanto. Pois já me disseram ser cágado. Alguém falou tratar-se de jabuti. Um outro - tentando simplificar a divergência - sugeriu que, do bichinho, se falasse ser, apenas, quelônio. Ora, e lá vou eu chamar a tartaruga de quelônio? Para mim, continuou sendo tartaruga e nunca mais discuti a questão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem nome a coitadinha tem e pensei já estivesse velha, beirando os 50 anos. O mesmo amigo - que a chamou de quelônio - coçou a cabeça e me garantiu, com ênfase filosofal: "Chiii, isso vai longe". De quando em quando, ela se esconde. E, ao se acreditar ter sumido de vez, ela reaparece, a cara de sonsa, pescoço enrugado, olhos que sempre me pareceram apalermados. Quero fingir despreocupação, não consigo. E lá me vou em busca dela, procurando-a pelos cantos, perguntando a vizinhos. Quase sempre é inútil, um sumiço como que proposital, necessidade de recolhimento. Ou, então, implicância comigo. Na verdade, tenho certeza: o problema da tartaruga sou eu. E, então, eu me lembro do Mário, velho jardineiro que se foi cedo demais, levando uma sabedoria de viver que me deixou vazios e ausências. A tartaruga desaparecia por dias e dias, às vezes por semanas. Bastava o Mário chegar, ela ressurgia sei lá de onde, aproximando-se dele ou aquietando-se num canto, como a observá-lo. Orgulhoso, Mário zombava de mim: "Tem que fazer agrado. Você só se lembra da coitadinha quando ela some".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, então, lembranças se me tornavam amargas, compreendendo que, na vida e com as pessoas, também é assim: quando se vão, pensamos mais nelas; se se afastam, a ausência dói em forma de saudade. E quando é um tempo que desaparece, um mundo que vai sumindo? "Tem que fazer agrado..." O sábio homem tentou ensinar-me segredos de bem-querer, belezas de vida, relações com coisas e com pessoas. Algo penso ter aprendido. Pois plantas e flores, eu as plantava e poucas desabrochavam. Eram aquelas pequeninas e assanhadas - conheço-as como "onze horas" - que, quando abertas, deslumbram. As minhas pareciam preguiçosas. Mário me ensinou o segredo da alegria e da beleza delas: "Tem, também, que fazer agrado, fazer carinho, passar as mãos de leve, como se fosse mulher". E completava: "Tem flor que é como mulher e finge ter mistérios. A gente precisa descobrir quais são". Certa vez, foi com "favos-de-mel". Posso jurar tê-los plantado com carinho e delicadeza, com tal ternura de coração que - não me chateio de confessar - até cantarolei baixinho, quase em oração, para que fecundo fosse o plantio. Não deu certo e pensei em ingratidões. Mário voltou a explicar-me coisas misteriosas das plantas e das flores: "Você plantou em dia errado. Planta e flor são em tudo como mulher: têm, também, dia certo para engravidar".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se me perguntarem a razão de terem-me retornado tais lembranças, não saberei responder. Lembro-me que em uma de minhas recentes idas ao cinema, saí de lá com um peso no peito, nostálgico, com uma sensação de que algo havia sumido, um não-sei-quê esquecido não sei onde. As imagens de "Tróia" misturavam-se ao vozerio de jovens estudantes que assistiam ao filme. Eles não tinham qualquer informação sobre o que ocorria na tela. E o cavalo de madeira, por quê? Então, quando os espartanos saíram da escultura, um dos moços quase gritou: "Eu estava desconfiado, eu ia dizer que tinha soldados escondidos dentro do cavalo".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A tartaruga não sumiu. Há, no entanto, um mundo desaparecendo, sumindo, esvaindo-se. Talvez, eu dê, à tartaruga, o nome de Helena de Tróia. Só para lembrar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14435022-112837096835629648?l=seuorlandodapadaria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://seuorlandodapadaria.blogspot.com/feeds/112837096835629648/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14435022&amp;postID=112837096835629648&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14435022/posts/default/112837096835629648'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14435022/posts/default/112837096835629648'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://seuorlandodapadaria.blogspot.com/2005/10/lembranas.html' title='Lembranças'/><author><name>Orlando</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14435022.post-112829797262861515</id><published>2005-10-02T20:54:00.000-03:00</published><updated>2005-10-02T21:06:12.636-03:00</updated><title type='text'>Nelson rides again...</title><content type='html'>&lt;em&gt;De repente, os idiotas descobriram que são em maior número. Sempre foram em maior número e não percebiam o óbvio ululante. E mais descobriram: — a vergonhosa inferioridade numérica dos “melhores”. Para um “gênio”, 800 mil, 1 milhão, 2 milhões, 3 milhões de cretinos. E, certo dia, um idiota resolveu testar o poder numérico: — trepou num caixote e fez um discurso. Logo se improvisou uma multidão. O orador teve a solidariedade fulminante dos outros idiotas. A multidão crescia como num pesadelo. Em quinze minutos, mugia, ali, uma massa de meio milhão.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;                                                                                                                                      &lt;/em&gt;&lt;a href="http://paginas.terra.com.br/arte/ecandido/mestr176.htm"&gt;Nelson Rodrigues&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com tanta coisa mais importante pra se fazer, obrigam-me a votar se sou contra ou a favor do comércio legal de armas de fogo. Que ultraje!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14435022-112829797262861515?l=seuorlandodapadaria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://seuorlandodapadaria.blogspot.com/feeds/112829797262861515/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14435022&amp;postID=112829797262861515&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14435022/posts/default/112829797262861515'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14435022/posts/default/112829797262861515'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://seuorlandodapadaria.blogspot.com/2005/10/nelson-rides-again.html' title='Nelson rides again...'/><author><name>Orlando</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14435022.post-112829548813004334</id><published>2005-10-02T20:04:00.000-03:00</published><updated>2005-10-02T20:24:48.143-03:00</updated><title type='text'>Nostra Culpa</title><content type='html'>Uma educadora, em entrevista a uma revista semanal, propôs, finalmente, que os pais se libertem da tirania dos filhos. Arre! Há anos venho escrevendo sobre isso, como que num "nostra culpa" de minha geração. Pois, se fomos responsáveis por muitos avanços e rompimentos de tabus, é nossa culpa, também, as ruínas que juntamos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em nome da liberdade, acabamos não deixando pedra sobre pedra. Costumo dizer que a minha foi a geração dos "psicologismos", de todos eles. Libertando-nos de uma cultura familiar rígida que se afrouxou no pós-guerra, meados de 1950, fomos vencendo obstáculos, derrubando preconceitos e, finalmente, chegamos ao famigerado e fatídico "é proibido proibir". Foi o famoso "liberou geral". De repente, abraçamos cada qual à sua maneira, é óbvio as teorias de Piaget, de Montessori, até mesmo do inglês A.S. Neill, com suas experiências em Summerhill e a "liberdade sem medo". Construtivismo foi a palavra de ordem: a criança teria que se construir por dentro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entendendo errado, nós, pais de então, ficamos feito palermas. Nunca se falou tanto em diálogo como então. Mas esquecendo-se do que se tratava e das condições necessárias para torná-lo possível. Em primeiro lugar, há necessidade de um interesse comum de busca, num perguntar e num responder entre interlocutores. Quando um deles não tem o que perguntar, nem o que responder, o diálogo é impossível. É o tradicional diálogo entre surdos. Indo, anarquicamente, em busca de "famílias dialogantes", minha geração não percebeu o rompimento da hierarquia. Se crianças e adolescentes têm o que dizer aos pais e estes precisam ouvi-las não é verdade que os filhos se constroem sozinhos. Têm tudo a aprender com os pais. É a nossa função de educadores. Se não for, a educação não terá qualquer sentido. E isso vale, também, na relação professor/aluno. Por mais conversem, por mais haja perguntas e respostas, o professor é aquele que ensina e aluno, o que aprende.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha geração tentou trocar a paternidade pela amizade. Em vez de pais-amigos, quisemos ser apenas amigos, deixando de ser pais. Era comum ouvir-se: "sou amigo de meu filho." Amigos há alguns por aí e ao longo da vida. Pai é apenas um. Mãe, também. Abrir mão disso ou recusar-se a sê-lo é semear a anarquia, como semeamos. Quando filhos procuram os pais dizendo querer falar com amigos, o desastre já aconteceu. Amigos podem ter compreensão, mas apenas pai e mãe têm a compaixão e a misericórdia. Um amigo sempre nos diz: "agora, que somos avós, vamos aprender a ser pais." Percebo isso quando falo não a meus netinhos, quando lhes nego o que os pais lhes dão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há alguns meses, bem antes da reportagem com a psicóloga, tentei escrever sobre o novo brado que deveríamos estimular: "o proibido é não proibir". Essa geração de crianças e adolescentes egoístas e mimados assumirá, amanhã, a liderança da nação. Serão líderes incapazes de repartir, de dividir e, acima de tudo, de viver a compaixão, que é esse sentir o sofrimento alheio. Os antigos já diziam: "o pepino se torce de pequenino." Permitimos pepinos crescerem desordenadamente, pepinos construtivistas. O resultado está diante de nossos olhos. Talvez, uns bons sopapos tivesse diminuído a lotação da Febem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14435022-112829548813004334?l=seuorlandodapadaria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://seuorlandodapadaria.blogspot.com/feeds/112829548813004334/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14435022&amp;postID=112829548813004334&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14435022/posts/default/112829548813004334'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14435022/posts/default/112829548813004334'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://seuorlandodapadaria.blogspot.com/2005/10/nostra-culpa.html' title='Nostra Culpa'/><author><name>Orlando</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14435022.post-112741970669707683</id><published>2005-09-22T17:05:00.000-03:00</published><updated>2005-09-22T17:08:26.703-03:00</updated><title type='text'>Momento Tostines</title><content type='html'>As coisas que acabam, acabam pelo surgimento de outras, ou as que surgem, surgem por outras terem acabado?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O novo amor acontece por ter morrido o antigo ou o antigo morre por ter surgido o novo?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14435022-112741970669707683?l=seuorlandodapadaria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://seuorlandodapadaria.blogspot.com/feeds/112741970669707683/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14435022&amp;postID=112741970669707683&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14435022/posts/default/112741970669707683'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14435022/posts/default/112741970669707683'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://seuorlandodapadaria.blogspot.com/2005/09/momento-tostines.html' title='Momento Tostines'/><author><name>Orlando</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14435022.post-112741852908350221</id><published>2005-09-22T16:37:00.000-03:00</published><updated>2005-09-22T16:53:57.010-03:00</updated><title type='text'>As moradas da alma</title><content type='html'>De quando em quando, abro a janela e espio o mundo lá fora. Ou ele me bate à porta. Atendo-o e me recolho ao meu. Ou apenas vejo. Das coisas, há algumas de que gosto, outras de que não. Seleciono, então, o que me agrada, trago para dentro e volto a recolher-me. Ora, Fernando Pessoa contou, ao mar salgado, não saber quanto, daquele sal, eram lágrimas de Portugal. Mas que valera a pena: "tudo vale a pena se a alma não é pequena". Esperta, a alma humana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desconfio: a alma sabe o tempo certo de se manifestar. Deve ser diferente em cada pessoa. Em mim, ela se mostra quando a razão não mais me dá respostas, quando se me fogem até as pequeninas explicações. Nessas horas – se parecia escondida, de tão quieta – a alma aparece. E age na carne. Se for coisa boa, ela faz sapecagem como a fada Sininho. Com coisa ruim, machuca. Ou, então, recolhe-se como a sombra roubada de Peter Pan. A alma – pelo menos em mim – parece assumir mil formas, tamanhos e larguras. Tem momentos em que só ela existe, tão imensa, tão leve que carrega o corpo a voar junto. Em outros, fica pequenina que nem se dá a perceber. Então, ou some ou pesa. E o peso é tanto que o corpo afunda, naufraga. Sem alma, fica-se sonâmbulo pela vida. E, com alma pesada, carrega-se o mundo nas costas. Prefiro quando minha alma dá sinais de Sininho ter chegado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Penso – digo-o em mim, não sei dos outros – a alma escolha o seu próprio lugar dentro da gente. De vez em quando, mora em todo o corpo, no corpo inteiro – tal a leveza plena, tal o peso total. Quase sempre, porém, mora em pedacinhos. Sabe, aquela dor terrível, a que dilacera o coração, o punhal que o sangra, a dor que não passa – a saudade? Pois, na saudade, a alma mora no coração de quem a tem. É onde ela fica. E custa a sair. Quanto maior a saudade, mais a alma tem, no coração, lugar para morar. E na paixão? A alma mora no estômago, bem na boca dele. Quando surge como uma náusea – é o lugar onde a alma decide morar. Ou, então, na dobra dos joelhos, quando – vendo a pessoa amada – as pernas bambeiam, tem-se tremedeira, parece ir-se cair. Joelhos de apaixonados tremem por a alma estar morando lá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tem horas em que, a alma, nem a percebo, não sei onde se escondeu. Se dorme, se ressona, se tem preguiça. Já percebi, porém, que isso acontece quando a razão insiste mandar em mim, comandar-me a vida, decidir meus atos, impor sua ditadura. Acho interessante: a razão não suporta a alma. Se ao menos gostasse, deixaria a minha falar e agir quando e como bem entendesse. A alma, por sua vez, gosta da razão. E tanto gosta que, vira e mexe, tenta ajudá-la a escapar às suas preocupações. É complicado: a alma ouve a razão, a razão quase sempre ensurdece-se à alma. Chegarei, um dia, a alguma conclusão. Na verdade, a uma decisão. Pois, se já sei da convivência de alma e razão, tenho que saber conciliá-las. Desconfio ser simples a solução: dar mais ouvidos à alma, menos importância à razão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ontem, por exemplo, descobri – em momentos quase seguidos – o lugar onde minha alma estava morando. Da primeira vez, no dedinho do pé. Dei um trupicão e a dor foi tão forte, dor de gemer, que não tive dúvidas: minha alma estava ali, na dor do mindinho. E, depois, quase em seguida, ela me apareceu nos olhos. E escorreu-me pelo rosto, devagarinho, de mansinho, pensei fosse Sininho com brincadeiras dentro de mim. Eu via Gene Kelly, "dançando na chuva". A alma ficou-me nos olhos. Não era pequena, valeu a pena.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14435022-112741852908350221?l=seuorlandodapadaria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://seuorlandodapadaria.blogspot.com/feeds/112741852908350221/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14435022&amp;postID=112741852908350221&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14435022/posts/default/112741852908350221'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14435022/posts/default/112741852908350221'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://seuorlandodapadaria.blogspot.com/2005/09/as-moradas-da-alma.html' title='As moradas da alma'/><author><name>Orlando</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14435022.post-112731999831506762</id><published>2005-09-21T13:21:00.000-03:00</published><updated>2005-09-21T13:29:07.000-03:00</updated><title type='text'>Poesia numa hora dessas? - Parte 2</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;DOIS&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quero gozar tua presença&lt;br /&gt;sem que dela dependa o meu sorriso.&lt;br /&gt;Quero sofrer tua falta&lt;br /&gt;sem, contudo, lamentá-la.&lt;br /&gt;Quero sentir tua pele&lt;br /&gt;sem ter que vesti-la em mim.&lt;br /&gt;Quero apreciar teu mundo&lt;br /&gt;sem que nele eu me dilua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sejam divergentes nossos rumos,&lt;br /&gt;e nossos sonhos diferentes sejam.&lt;br /&gt;Que o amor se faça grande&lt;br /&gt;quão distantes nossas vidas,&lt;br /&gt;e nos faça bem viver&lt;br /&gt;cada qual do modo seu;&lt;br /&gt;sendo tu cada vez mais tu,&lt;br /&gt;sendo eu cada vez mais eu.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14435022-112731999831506762?l=seuorlandodapadaria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://seuorlandodapadaria.blogspot.com/feeds/112731999831506762/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14435022&amp;postID=112731999831506762&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14435022/posts/default/112731999831506762'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14435022/posts/default/112731999831506762'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://seuorlandodapadaria.blogspot.com/2005/09/poesia-numa-hora-dessas-pa_112731999831506762.html' title='Poesia numa hora dessas? - Parte 2'/><author><name>Orlando</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14435022.post-112698642076190319</id><published>2005-09-17T16:45:00.000-03:00</published><updated>2005-09-17T16:47:00.766-03:00</updated><title type='text'>Poesia numa hora dessas?</title><content type='html'>Eu quero você;&lt;br /&gt;não sempre, nem pra sempre,&lt;br /&gt;e nem sempre você.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14435022-112698642076190319?l=seuorlandodapadaria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://seuorlandodapadaria.blogspot.com/feeds/112698642076190319/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14435022&amp;postID=112698642076190319&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14435022/posts/default/112698642076190319'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14435022/posts/default/112698642076190319'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://seuorlandodapadaria.blogspot.com/2005/09/poesia-numa-hora-dessas.html' title='Poesia numa hora dessas?'/><author><name>Orlando</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14435022.post-112692565459361533</id><published>2005-09-16T23:47:00.000-03:00</published><updated>2005-09-16T23:54:14.600-03:00</updated><title type='text'>Os joelhos de Cristo</title><content type='html'>Fui católico praticante até os 14 ou 15 anos, por influência da minha mãe, depois virei agnóstico como o meu pai. Lembro que o que mais me impressionava no grande crucifixo da igreja do bairro que freqüentávamos eram os joelhos esfolados de Cristo. Mais do que as mãos e os pés pregados na cruz e a coroa de espinhos, talvez porque joelhos lanhados fizessem parte da minha experiência de guri e aquela fosse uma dor que eu também conhecia. O Cristo crucificado tinha a sentida solidariedade de um jogador de futebol de calçada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Igreja Católica tem uma plasticidade que as outras não têm, e boa parte da sua iconografia é de imagens sangrentas que realçam o martírio dos sentidos ao mesmo tempo que espiritualizam a sensualidade, ou erotizam a espiritualidade. Quando Salvador Dalí pintou o seu Cristo crucificado sem chagas e quase feminino, que escandalizou tanta gente, estava resgatando a espiritualidade de Cristo do seu dilaceramento sangrento e a carnalidade do seu martírio. Lembro-me do alvoroço que foi o filme do Mel Gibson sobre a Paixão de Cristo. O que escandalizou parte da crítica nesse filme foi a sua extrema violência, a sua redução da mensagem cristã ao dilaceramento, com sangue esguichando. O jornalista Cristopher Hitchens chegou a chamá-lo de um filme sadomasoquista feito para quem gosta de ver homens seminus apanhando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A idéia de Gibson parece ser que o martírio é a mensagem que o mundo cristão precisa, não de outra fantasia sobre o Jesus histórico e político, como fez o Scorcese, ou outra pieguice inspiradora como os antigos superespetáculos bíblicos de Hollywood, mas um pseudodocumentário que lembre o terror que foi o sacrifício real do Cristo até o último prego. E — segundo outros protestos contra o filme — faça questão de lembrar quem foram os responsáveis por isto. Gibson se defende da acusação de anti-semitismo mas, o que se ouviu na época, foi que o filme recorre a estereótipos raciais para caracterizar os judeus que exigiam a morte de Cristo e uma tentative de inocentar os romanos, que, afinal, só estariam lá como os americanos no Iraque, sem participação em acertos de contas locais. O pai de Gibson é um anti-semita declarado e o próprio Gibson é de uma corrente ultraconservadora da Igreja, e o filme recebeu elogios de líderes religiosos da direita e atraiu multidões nos Estados Unidos, presumivelmente não só de sadomasoquistas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O crítico do “New York Times” Frank Rich, comentando o filme e o seu sucesso, escreveu que, pela primeira vez na vida, se sente ameaçado como um judeu americano na sua terra. Diz-se que o fundamentalismo cristão americano apóia a extrema direita israelense porque, assim como os judeus são os responsáveis pela crucificação de Cristo e portanto pelo cristianismo, um Armagedão no Oriente Médio trará o fim dos tempos, com a conversão dos judeus e o triunfo definitivo de Cristo. Frank Rich deve se sentir ameaçado também como um homem racional num mundo cada vez mais maluco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, já abandonei o monoteísmo e também não posso dar palpite sobre os acertos de contas dos outros mas acho que o que se precisa, mesmo, não é nenhuma nova catarse pela violência e pelo ódio mas de solidariedade universal ao nível mais baixo e humano possível: ao nível do joelho esfolado de todo o mundo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14435022-112692565459361533?l=seuorlandodapadaria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://seuorlandodapadaria.blogspot.com/feeds/112692565459361533/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14435022&amp;postID=112692565459361533&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14435022/posts/default/112692565459361533'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14435022/posts/default/112692565459361533'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://seuorlandodapadaria.blogspot.com/2005/09/os-joelhos-de-cristo.html' title='Os joelhos de Cristo'/><author><name>Orlando</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14435022.post-112679706372112384</id><published>2005-09-15T11:55:00.000-03:00</published><updated>2005-09-15T12:11:03.793-03:00</updated><title type='text'>Monólogos cinematográficos inesquecíveis - Parte 2</title><content type='html'>"Let me give you a little inside information about God.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;God likes to watch. He`s a prankster. Think about it.&lt;br /&gt;He gives man INSTINCTS! He gives you this extraordinary gift, and then what does He do? I swear for His own amusement, his own private, cosmic gag reel, He sets the rules in opposition.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;It`s the goof of all time!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Look but don't touch.&lt;br /&gt;Touch, but don't taste!&lt;br /&gt;Taste, don't swallow.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ahaha!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;And when you're jumpin' from one foot to the next, what is he doing?&lt;br /&gt;He's laughin' His sick, fuckin' ass off. He's a tight-ass! He's a sadist! He's an absentee landlord! Worship THAT? NEVER!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;John Milton - &lt;a href="http://www.amazon.com/exec/obidos/tg/detail/-/6305065551/qid=1126796958/sr=1-1/ref=sr_1_1/103-7912654-4275840?v=glance&amp;amp;s=dvd"&gt;Devil's Advocate &lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14435022-112679706372112384?l=seuorlandodapadaria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://seuorlandodapadaria.blogspot.com/feeds/112679706372112384/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14435022&amp;postID=112679706372112384&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14435022/posts/default/112679706372112384'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14435022/posts/default/112679706372112384'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://seuorlandodapadaria.blogspot.com/2005/09/monlogos-cinematogrficos-inesquecveis.html' title='Monólogos cinematográficos inesquecíveis - Parte 2'/><author><name>Orlando</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14435022.post-112662328202122507</id><published>2005-09-13T11:45:00.000-03:00</published><updated>2005-09-13T11:54:42.053-03:00</updated><title type='text'>Sobre a “crise política”</title><content type='html'>(...a “paralisação do país” em razão da crise, tão criticada pela imprensa, é uma verdadeira bênção. Já se tornou um clichê a frase do Roberto Campos segundo a qual, no Brasil, a economia cresce à noite, enquanto o Estado dorme. Com o Estado paralisado pela perseguição aos corruptos, talvez aqueles que exercem trabalho efetivamente produtivo encontrem mais espaço para crescer.")&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem observado pelo colega Alvaro Velloso, lá d&lt;a href="http://www.oindividuo.com/"&gt;o Indivíduo&lt;/a&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14435022-112662328202122507?l=seuorlandodapadaria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://seuorlandodapadaria.blogspot.com/feeds/112662328202122507/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14435022&amp;postID=112662328202122507&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14435022/posts/default/112662328202122507'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14435022/posts/default/112662328202122507'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://seuorlandodapadaria.blogspot.com/2005/09/sobre-crise-poltica.html' title='Sobre a “crise política”'/><author><name>Orlando</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14435022.post-112646251497066909</id><published>2005-09-11T14:46:00.000-03:00</published><updated>2005-09-11T15:15:15.020-03:00</updated><title type='text'>Às moscas!</title><content type='html'>New Orleans está arrasada. E o governo norte-americano diz não ter recursos para a reconstrução. Será que é por que a maioria da população é negra? Será culpa&lt;br /&gt;das fronteiras econômicas do mundo que dividem, não países ricos de países pobres, mas regiões dentro dos países e bairros dentro das regiões fazendo existir várias áfricas desassistidas, e cada vez maiores, segregadas do resto, como no Brasil? Ou será que é por que o Bush não gosta de Jazz e Blues?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanta racionalidade. Como dizia Wilde, "posso suportar a força bruta, mas a razão bruta é imperdoável. Há algo de injusto no seu emprego. Ofende a inteligência."&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14435022-112646251497066909?l=seuorlandodapadaria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://seuorlandodapadaria.blogspot.com/feeds/112646251497066909/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14435022&amp;postID=112646251497066909&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14435022/posts/default/112646251497066909'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14435022/posts/default/112646251497066909'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://seuorlandodapadaria.blogspot.com/2005/09/s-moscas.html' title='Às moscas!'/><author><name>Orlando</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14435022.post-112575651254037328</id><published>2005-09-03T10:54:00.000-03:00</published><updated>2005-09-03T11:08:32.550-03:00</updated><title type='text'>Abstraindo</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;color:#000000;"&gt;- Há coisa melhor do que isto?&lt;br /&gt;Os braços abertos do Fabião incluíam tudo: a mesa, os chopes, o último bolinho de bacalhau, os quatro além dele em volta da mesa, as outras pessoas em volta das outras mesas no terraço do bar, o dia que acabava, o verão que começava, a cidade, o país, o mundo inteiro naquele momento.&lt;br /&gt;Como os outros só fizessem comentários neutros - "É...", "Beleza, né?" "Podes crer..." - Fabião repetiu a pergunta.&lt;br /&gt;- Não. Existe coisa melhor do que isto? Não é pergunta retórica. É enquete.&lt;br /&gt;- "Isto" que você quer dizer... - tentou o Márcio.&lt;br /&gt;- Isto! Este momento. Nós aqui tomando este chope, neste fim de tarde. Todo mundo amigo, todo mundo se sentindo bem.&lt;br /&gt;O Remi começou a dizer alguma coisa, mas o Fabião o deteve com um gesto.&lt;br /&gt;- Você não vale, Remi.&lt;br /&gt;O Remi era hipocondríaco. Estava sempre sentindo alguma coisa. Fabião se dirigia aos outros.&lt;br /&gt;- O que que falta para este ser um momento perfeito nas nossas vidas? Hein? Hein?&lt;br /&gt;O Carlos Alberto, cujo apelido era Holofote, olhou em volta. Não queria ser um estraga-prazer, mas...&lt;br /&gt;- Eu estou desempregado...&lt;br /&gt;- Abstraindo isso - disse Fabião.&lt;br /&gt;- Estou bem - reconheceu o Holofote. E depois, para não decepcionar o Fabião: - Estou ótimo.&lt;br /&gt;- Então ótimo. E você, Márcio?&lt;br /&gt;Márcio pensou um pouco. Depois revelou, como se fosse informação privilegiada:&lt;br /&gt;- A situação do país não tá boa, viu?&lt;br /&gt;- Abstraindo isso.&lt;br /&gt;Márcio teve que reconhecer. Não podia pensar em nada melhor do que estar ali, tomando aquele chope com os amigos, naquele momento, apesar da situação do país. Não faltava nada para o momento ser perfeito.&lt;br /&gt;- Sei não - disse o Remi. - Sei não...&lt;br /&gt;Já que não podia introduzir sua indiscutível gastrite, sua possível diabete e seu provável câncer na avaliação do momento, Remi decidira não ceder tão facilmente.&lt;br /&gt;- "Sei não" por quê? - desafiou o Fabião.&lt;br /&gt;- O bolinho de bacalhau podia estar melhor.&lt;br /&gt;- Abstraindo isso.&lt;br /&gt;Remi sacudiu a cabeça, fazendo nem sim nem não, querendo dizer que não estava convencido. Insistiu na rebeldia.&lt;br /&gt;- O que eu ganho é uma merda.&lt;br /&gt;- Se é por isso, o que eu ganho também é uma merda - disse Márcio.&lt;br /&gt;- Abstraindo isso.&lt;br /&gt;Remi não se entregou. Disse:&lt;br /&gt;- Eu vou morrer.&lt;br /&gt;E antes que o Fabião impugnasse sua intervenção dizendo que não valia porque ele estava sempre à morte, Remi continuou:&lt;br /&gt;- Quero dizer, nós todos vamos morrer. Este é só um breve momento no processo irreversível da nossa degradação física. Eu tenho poucos dias de vida, mas vocês todos vão morrer, mais cedo ou mais tarde. Até o Holofote, que faz exercício. É um dado que tem que ser levado em consideração.&lt;br /&gt;- Abstraindo isso.&lt;br /&gt;Abstraída a mortalidade comum da mesa, ninguém mais tinha argumento contra o Fabião. Até que o Sabóia, que ainda não falara, limpou a garganta e falou:&lt;br /&gt;- Tem o Nada.&lt;br /&gt;- O quê?&lt;br /&gt;- O Nada. "N" maiúsculo.&lt;br /&gt;- Que Nada?&lt;br /&gt;- O grande vazio. Além das estrelas, além do Universo.&lt;br /&gt;- Isso não existe. Além das estrelas tem mais estrelas.&lt;br /&gt;- Se o Universo está em expansão, tem que se expandir para algum lugar. Está se expandindo para o Nada.&lt;br /&gt;- Então não é o Nada. É o Infinito.&lt;br /&gt;Ficaram discutindo se o Infinito era alguma coisa ou era nada, ou se nada era mesmo o Nada, e se precisava ter lembrado que a Humanidade não passa de um limo passageiro numa pedra insignificante solta num espaço inexplicável num Universo absurdo, como se não bastasse o bolinho de bacalhau ser só batata. Até que o Fabião perdeu a paciência, deu um soco na mesa e gritou:&lt;br /&gt;- Abstraindo o Nada!&lt;br /&gt;Mas aí já era tarde, o próprio Fabião decretou que a excepcionalidade do momento tinha passado sem que ninguém a aproveitasse e, mesmo, parecia que ia chover. &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14435022-112575651254037328?l=seuorlandodapadaria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://seuorlandodapadaria.blogspot.com/feeds/112575651254037328/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14435022&amp;postID=112575651254037328&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14435022/posts/default/112575651254037328'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14435022/posts/default/112575651254037328'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://seuorlandodapadaria.blogspot.com/2005/09/abstraindo.html' title='Abstraindo'/><author><name>Orlando</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14435022.post-112474321150563194</id><published>2005-08-22T17:34:00.000-03:00</published><updated>2005-08-22T17:42:34.766-03:00</updated><title type='text'>Ninguém mais</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;color:#000000;"&gt;Ninguém mais atravessa o Canal da Mancha a nado ou ateia fogo às vestes. Não faz muito, as pessoas atravessavam o canal da Mancha a nado o tempo todo. Cobriam o corpo com graxa — por causa do frio — e se lançavam ao canal, que atravessavam em horas. Ou era dias? Às vezes desistiam, e eram retiradas da água pela sua equipe, que as acompanhava em barcos. Em outros barcos iam repórteres, fotógrafos e, supunha-se, torcedores. Atravessar o Canal da Mancha a nado era o supremo desafio à perseverança humana. Ou o supremo desafio à perseverança humana da moda. Sem muita recompensa, fora a satisfação pessoal de ter conseguido e a notoriedade de alguns dias, pois ainda não era a época da celebridade esportiva rentável. Atravessava-se o Canal da Mancha a nado apenas porque ele estava lá. E atravessava-se muito. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;color:#000000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;color:#000000;"&gt;Não houve uma brasileira que atravessou o Canal da Mancha a nado? Tenho uma vaga lembrança de ter visto uma foto de uma brasileira saindo, besuntada e vitoriosa, das águas do Canal. Foi antes de o Ademar Ferreira da Silva ser campeão olímpico do salto triplo, antes de a Maria Ester Bueno no tênis, antes da Copa do Mundo de 58, antes de o Jorginho Guinle comer a Lana Turner, o país não tinha muitos feitos internacionais para comemorar. Se não é imaginação minha, a brasileira que atravessou a Canal da Mancha a nado foi nossa heroína precursora. Ou será que eu a inventei? &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;color:#000000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;color:#000000;"&gt;Talvez tenha acontecido com o Canal da Mancha o que aconteceu com o Monte Everest, que também era uma suprema prova para a perseverança humana e tinha que ser conquistado porque estava lá. Depois que o primeiro inglês chegou no seu cume — dizem que puxado pelo seu guia xerpa, que chegou primeiro — a conquista do Everest banalizou-se. Parece que hoje existem até excursões de fim de semana tipo “duas noites no Himalaia Hilton, uma no pico do Everest, etc.” para alpinistas amadores. Grupos de colegiais devem estar atravessando o Canal da Mancha a nado todos os dias e a gente é que não fica sabendo. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;color:#000000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;color:#000000;"&gt;Moça tentando se matar ateando fogo às vestes era um final corriqueiro de caso passional, no tempo em que se atravessava muito o Canal da Mancha a nado — e se via disco voador, e jogador de futebol usava rede no cabelo, e os homens faziam “fffff” quando aparecia mulher gostosa em filme. Não passava dia em que os jornais não trouxessem a notícia de uma mulher desesperada que ateara fogo às vestes ou, menos comum, tomara guaraná com formicida, por uma desilusão amorosa. Sempre a mulher, nunca o homem. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;color:#000000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;color:#000000;"&gt;Eu me impressionava com as tragédias quase diárias, claro, mas também ficava intrigado com aquela palavra, “atear”, que eu só via naquele contexto, e raramente vi depois que as mulheres abandonaram a prática. As desilusões amorosas continuam. Mas hoje, felizmente, ateia-se pouco.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;color:#000000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;color:#000000;"&gt;Por que será? Não é razoável pensar que maneiras de se matar também entrem e saiam de moda, como o ioiô. O fogo nas vestes devia ter um significado — uma mensagem piro-ritualística inconsciente — que se perdeu com o tempo. Ou então o uso de material do cotidiano suburbano feminino (querosene, fósforo, formicida) foi ultrapassado pela urbanização, pelos exemplos da TV, até por uma nova atitude da mulher vitimada, que cada vez mais pode optar por matar o safado em vez de se matar. O país mudou e até o desespero se sofisticou. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;color:#000000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;color:#000000;"&gt;O fato é que ninguém mais atravessa o Canal da Mancha a nado, ninguém mais ateia fogo às vestes, ninguém mais faz reunião dançante com strogonoff e ouvi até dizerem que ninguém mais usa vic-vaporube. &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14435022-112474321150563194?l=seuorlandodapadaria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://seuorlandodapadaria.blogspot.com/feeds/112474321150563194/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14435022&amp;postID=112474321150563194&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14435022/posts/default/112474321150563194'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14435022/posts/default/112474321150563194'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://seuorlandodapadaria.blogspot.com/2005/08/ningum-mais.html' title='Ninguém mais'/><author><name>Orlando</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14435022.post-112431107896245729</id><published>2005-08-17T17:27:00.000-03:00</published><updated>2005-08-17T17:37:58.970-03:00</updated><title type='text'>Monólogos cinematográficos inesquecíveis</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;A lucidez é um dom e um castigo. É tudo numa palavra. Lúcido vem de Lúcifer, o arcanjo rebelde, o Demônio. Lúcifer é também o luzeiro do amanhecer, a primeira estrela, a que mais brilha e a última a se apagar. Lúcido vem do Lúcifer; Lúcifer, de Lux e Ferous, que quer dizer: aquele que tem luz. Que gera luz. Que trás a luz que permite a visão interior. Deus e Demônio tudo junto. O Prazer e a Dor. Lucidez é dor, e o único prazer que podemos conhecer, o único que se parece remotamente à alegria, é o prazer de permanecer consciente da própria lucidez. O silêncio da compreensão, o silêncio do simples estar. E nisto se vão os anos, nisto se foi a bela alegria animal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;                                                                                                                                                 Pizarnik&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;O lúcido pode seguir vivendo, se conservar o instinto da espécie. O impulso vital. É possível que, com o tempo, essa obscura força instintiva se perca. Então, vai ser necessário usar alguma coisa parecida com a fé... sem impor um motivo, uma meta que troque toda... essa vontade animal perdida pelo uso frio da razão. Mas essa vontade é um motor muito difícil de manter. De repente, sem motivo, ela se vai, se apaga, desaparece. Então, é quando se segue ou não. Se é possível ou não. E se não é possível, não há culpa. Não importa o amor dos outros nem o amor que sentimos por eles. Se não continuamos, as coisas seguem iguais. Tudo passa, a ausência passa. Conhece-se a morte antes de morrer. É um final antigo, rotineiro e comum. É um final esperado sem temor porque já foi vivido muitas vezes. Tudo dá na mesma.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;font-size:85%;"&gt;***&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;Lugares Comuns&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;&lt;a href="http://www.amazon.com/exec/obidos/tg/detail/-/B000A1HOI0/qid=1124310708/sr=1-1/ref=sr_1_1/002-2116057-0501640?v=glance&amp;s=dvd"&gt;http://www.amazon.com/exec/obidos/tg/detail/-/B000A1HOI0/qid=1124310708/sr=1-1/ref=sr_1_1/002-2116057-0501640?v=glance&amp;amp;s=dvd&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.contracampo.com.br/53/segundaslugares.htm"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;http://www.contracampo.com.br/53/segundaslugares.htm&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14435022-112431107896245729?l=seuorlandodapadaria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://seuorlandodapadaria.blogspot.com/feeds/112431107896245729/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14435022&amp;postID=112431107896245729&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14435022/posts/default/112431107896245729'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14435022/posts/default/112431107896245729'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://seuorlandodapadaria.blogspot.com/2005/08/monlogos-cinematogrficos-inesquecveis.html' title='Monólogos cinematográficos inesquecíveis'/><author><name>Orlando</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14435022.post-112364202074005481</id><published>2005-08-09T23:43:00.000-03:00</published><updated>2005-08-09T23:47:00.750-03:00</updated><title type='text'>Corrupção e destino</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;color:#000000;"&gt;Ainda me espanto com muita coisa. No entanto, não consigo estranhar a corrupção, surpreender-me com ela. É como se, de algum lugar do infinito, ainda ressoassem as palavras do pensador dizendo-nos que nada do humano deveria ser-nos estranho. Mas ainda me espanto de deslumbramento. Diante da corrupção e das misérias humanas, já não sei. Pois a história se revela sempre mais banal do que parece.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;color:#000000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;color:#000000;"&gt;Lembro-me de, em bancos escolares da infância, ouvir zelosos professores espantados com escândalos políticos, com a corrupção no país. Indignados, brandiam a Oração aos Moços, de Ruy Barbosa. E eles faziam suas as amarguras do grande mas esquecido brasileiro alertando sobre um tempo, que já parecia presente, da “vergonha de ser honesto”. Nas explosões da adolescência, não acreditávamos que o mal vencesse o bem, que o bandido, no final da história, ganhasse do mocinho. Estávamos errados.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;color:#000000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;color:#000000;"&gt;Vejo, leio, ouço pessoas escandalizando-se com o que acontece em Brasília, como se fosse novidade. Mas é história banal. E ela nos chega das funduras do mundo e das caravelas portuguesa. “Mar de lama”? Ora, ouço pessoas decentes falando disso desde 1954. Eu tinha apenas 14 anos e me lembro de um “mar de lama”, levando Getúlio Vargas ao suicídio. E a construção de Brasília, tempos de Juscelino? E Jânio, com o símbolo da vassoura para “varrer a corrupção”, relevando-se pior do que os antecessores? E com Jango? E o golpe dos militares, o poder repartido entre as casernas e o empresariado nacional e internacional? E Collor, caçador de marajás? E no governo Sarney? E os escândalos da era Fernando Henrique? Agora, sob os pés de Lula, o mar de lama apenas continua a correr. Nunca estancou.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;color:#000000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;color:#000000;"&gt;Penso não termos percebido, mas havia algo profético naquela propaganda de cigarros protagonizada pelo futebolista Gerson, campeão do mundo: “É preciso levar vantagem em tudo.” Pela voz das agências publicitárias, estávamos sendo apresentados a uma nova opção de vida, de aceitação, de entronização dos espertos. Levar vantagem passou a ser palavra de ordem, influindo na educação, na moral, na vida conjugal e familiar. Collor aumentou o tom, convocando o país para a grande cruzada: “Vencer ou vencer”. Deixaram de importar meios, métodos, recursos. Levar vantagem e vencer sempre: na vida, na escola, na carreira, na profissão, numa acelerada procriação de desonestos cada vez mais competentes.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;color:#000000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;color:#000000;"&gt;Em paralelo à lama brasiliense, como não ficar angustiado com essa menina que, após algum tempo na cadeia pela morte dos pais, declara, ao sair: “Eu sabia que Deus viria em meu auxílio, que eu sairia da prisão.” Matam-se pai e mãe e acredita-se que Deus vem em auxílio do criminoso. E por quê, então, espantarmo-nos com a naturalidade dos traficantes, de estupradores, de negocistas, de políticos corruptos – se banalizamos a vida, na desmoralização até da própria morte?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;color:#000000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;color:#000000;"&gt;De minha parte, aumenta-me a confusão à medida que perco o espanto diante da corrupção. Pois fico, em alguns momentos, receoso de meus maravilhamentos diante do ser humano: vale a pena? E se o homem for uma excrescência da natureza, um acidente, um corpo estranho e perigoso? Pois não há como negar: o ser humano é corruptível. E isso nada tem a ver com questão moral, de valor, de prêmio ou castigo, de bem ou de mal. É mais simples: a corrupção faz parte da vida, de tudo o que é vivo. Como um destino. Pois corromper significa estragar, deteriorar, apodrecer. E tudo o que é vivo se estraga, deteriora e apodrece. Na política, acontece mais rápido, como se fosse da natureza dela.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;color:#000000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;color:#000000;"&gt;Ora – em todas as culturas e religiões, desde as primitivas – apenas deuses e deusas são incorruptíveis. E que, portanto, não se estragam e não apodrecem e não deterioram. Por que acreditar que partidos políticos não se corrompam, se a busca deles é exatamente o que há de mais corrompedor, o poder? Seja PT, seja PSDB, deles quase emergem salvadores, de vereador a imperador. E há salvadores atrás de um balcão de botequim, no púlpito, na cátedra. Em cada minuto de nossos dias, vivemos como se fôssemos eternos, imorredouros e, portanto, imortais. No entanto, qualquer ente ou entidade viva envelhece, enruga, adoece, declina, caduca, arruina-se, estiola-se, definha, decai. É a corrupção da vida, do corpo, a falência. E falência é fim. Portanto, morte.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;color:#000000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;color:#000000;"&gt;Em Brasília, não foi o medo – mas a lama – que matou a esperança. Como sempre.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14435022-112364202074005481?l=seuorlandodapadaria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://seuorlandodapadaria.blogspot.com/feeds/112364202074005481/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14435022&amp;postID=112364202074005481&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14435022/posts/default/112364202074005481'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14435022/posts/default/112364202074005481'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://seuorlandodapadaria.blogspot.com/2005/08/corrupo-e-destino.html' title='Corrupção e destino'/><author><name>Orlando</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14435022.post-112248346932471330</id><published>2005-07-27T13:44:00.000-03:00</published><updated>2005-07-27T13:57:49.330-03:00</updated><title type='text'>Bando de putas velhas</title><content type='html'>&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:verdana;color:#000000;"&gt;Em nome de um falso idealismo e de uma falsa moralização, dizendo atacar só ambientes corruptos que eles mesmos, de longa data, vêm criando, procurarão atingir minha pessoa e meu governo, evitar a libertação nacional. Terei de lutar. Se não me matarem...&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;color:#000000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;color:#000000;"&gt;Getúlio Vargas à Folha da Noite, São Paulo, 1950 (suicidado em 1954)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;color:#000000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;color:#000000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;color:#000000;"&gt;Jamais vi, desde Goulart, linchamento público como o que promove a mídia gorda sobre Lula e o Partido dos Trabalhadores. Aliás, permita-nos a boutade: a conspiração para impedir Lula de governar começou muito, muitíssimo antes que os tataravôs dele nem sequer tivessem nascido.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;color:#000000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;color:#000000;"&gt;Ou você acha que latifundiários, burguesões e seus porta-vozes suportam a idéia de um Lula e um PT no governo? Já contei, conto de novo, do magnata que, na campanha de 1994, ao saber que Lula se hospedou no apartamento de um amigo (tem burguês amigo do Lula, sim), no dia seguinte mudou-se e pôs o imóvel à venda: não suportava a idéia de que “os dejetos de Lula” tivessem passado pelos condutos do apartamento dele, um andar abaixo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;color:#000000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;color:#000000;"&gt;E os inimigos internos do país e, pior, externos? Aí está vivinho o Kissinger, que declarou: os EUA não vão tolerar um novo Japão abaixo do equador. Essa gente quer ver Luiz Inácio Lula Mortinho da Silva. Não vão descansar. Que nem piranhas. Já sentiram o gostinho de sangue. Vão descarnar dedinho por dedinho, pode crer.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;color:#000000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;color:#000000;"&gt;Os efeós (formadores de opinião) iniciaram campanha antes mesmo que Lula vencesse as eleições. Lembre-se de como “previam” grave crise de credibilidade internacional e desestabilização nacional. Eleito, Lula começou a apanhar – problemas seculares passaram a ser-lhe atribuídos logo nos primeiros meses de governo. O efeó Clóvis Rossi, da Folhona, mereceria Oscar de trucagem: de Madri, relatando sobre o atentado contra um trem, chegou ao cúmulo de respingar sangue da tragédia sobre os ombros do PT.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;color:#000000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;color:#000000;"&gt;Efeó serve pra isso: formar opinião. Técnica de Goebbels: mentira mil vezes repetida vira verdade. Daqui a pouco, até eu acabo por acreditar que foram Lula e o PT que inventaram a corrupção; e esquecer todas as iniciativas e feitos, no plano nacional e internacional, que o atual governo tem promovido. Ou tem tentado. Como Brizola, Collor, Getúlio, Goulart, Lula cairá, se cair, não pelos defeitos, poucos, mas pelas qualidades, muitas. O golpe já foi dado e está em andamento. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;color:#000000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;color:#000000;"&gt;Mas tem uma coisa. O berreiro da oposição e seus efeós só me suscita uma imagem – tire as crianças de perto, e peço desculpas, mas é a única que me vem. Um bando de putas velhas “chocadas” no bordel – Oh! Não! Que vergonha! – porque a novata aceitou ser beijada na boca pelo cliente a quem elas já permitiram tudo.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14435022-112248346932471330?l=seuorlandodapadaria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://seuorlandodapadaria.blogspot.com/feeds/112248346932471330/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14435022&amp;postID=112248346932471330&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14435022/posts/default/112248346932471330'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14435022/posts/default/112248346932471330'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://seuorlandodapadaria.blogspot.com/2005/07/bando-de-putas-velhas.html' title='Bando de putas velhas'/><author><name>Orlando</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14435022.post-112180383458524179</id><published>2005-07-19T17:03:00.000-03:00</published><updated>2005-07-19T17:10:34.593-03:00</updated><title type='text'>Allons enfants de la Daslu</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:verdana;color:#000000;"&gt;®Elio Gaspari&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;color:#000000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;color:#000000;"&gt;Na véspera do 206 aniversário da Queda da Bastilha, os com-culote do andar de cima brasileiro foram à luta para defender a casa comercial Daslu. Treze de julho era também o 199 aniversário do dia em que Charlotte Corday, uma maluca mística, meteu uma faca no peito de Jean-Paul Marat, o jornalista que se intitulava “o amigo do povo”. Atribui-se ao historiador Fritz Stern, da Universidade Columbia, a observação de que os ricaços brasileiros vivem num mundo anterior à Revolução Francesa. Talvez isso explique a defesa da Daslu. É uma Bastilha que finalmente encontrou quem lute por ela: “Aux armes, citoyens”. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;color:#000000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;color:#000000;"&gt;Marcharam os marqueses da Fiesp, um punhado de senadores e alguns sibaritas que por cá são denominados “colunáveis”. (Pessoas que, por absoluta falta de qualificação, deixam-se apresentar como profissionais da arte de sair em colunas.) Juntaram-se tucanos e pefelês. Todos horrorizados. O grito da Fiesp deu a dimensão do episódio: “Fatos notórios recentes, vivenciados pela sociedade, revelam situação de anormalidade (?) Não há como se manter alheio ou indiferente a essa realidade”. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;color:#000000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;color:#000000;"&gt;Uma vizinha da Daslu, moradora da favela Coliseu, quando viu policiais armados de metralhadora, achou que a coisa ia ficar feia para sua gente. Surpreendeu-se ao perceber que a tropa foi “para o lado dos bacanas”. Contrastes há em muitos lugares. Cinquenta quarteirões separam a pobreza do Harlem hispânico de Nova York do triângulo celestial formado pelas joalheiras Tiffany, Bulgari e Van Cleef, nas esquinas da Quinta Avenida com a rua 57. Os brasileiros são maiores, mas não é no tamanho do contraste que mora o problema. O que falta a Pindorama é o velho e bom capitalismo, no qual o sonegador é um concorrente desleal. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;color:#000000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;color:#000000;"&gt;O capitalismo é um sistema no qual a rainha dos hotéis de Nova York, Leona Helmsley, tomou 18 meses de cadeia, mais uma multa de US$ 7 milhões por ter sonegado impostos e dito que pagá-los era coisa de gentinha. No mesmo dia em que se formaram no Brasil os Batalhões Daslu, o ex-gênio da WorldCom, Bernard Ebbers, foi condenado a 25 anos de prisão por ter fraudado o Fisco e os acionistas da empresa em US$ 11 bilhões. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;color:#000000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;color:#000000;"&gt;É a falta de capitalismo que gera men$alões, Valérios, Delúbios, caixa dois, empregado sem carteira assinada, mala de bispo da Igreja de Deus e cueca infernal de petista. Pode-se dizer o que se queira do deputado Roberto Jefferson, mas jamais um empresário brasileiro denunciou um décimo das malfeitorias que ele levou ao ventilador. Muito menos a Fiesp. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;color:#000000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;color:#000000;"&gt;Os Batalhões Daslu poderiam prestar um serviço ao capitalismo, à marca, ao Fisco, à patuléia e à representatividade das instituições patronais. Pediriam à Polícia Federal e à Receita que providenciassem uma lista com o preço unitário de cem itens do catálogo Dasluziano. Não o preço de venda. O preço de importação, aquele das faturas. Nele, uma gravata de Ermenegildo Zegna vale R$ 3 (o estacionamento custa R$ 30). Há vestidos de R$ 30 e camisas de R$ 15. Essa lista seria a base da maior liquidação de todos os tempos. A loja botaria um lucro de 100% em cima de cada peça e venderia a gravata do Zegna por R$ 8 (admitindo-se R$ 2 de novos impostos). Haveria vestidos Daslu custando menos de R$ 100. Seria o mensalão do bem. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;color:#000000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;color:#000000;"&gt;Fantasia? Talvez não. Conta a lenda do Fisco americano que o núcleo da coleção da National Gallery foi doado à nação depois de um entendimento dos fiscais da Viúva com o banqueiro Andrew Mellon, secretário do Tesouro do presidente Herbert Hoover. Dizem até que foi uma “situação de anormalidade” estimulada pelo presidente Franklin Roosevelt. Esse entendia de capitalismo. &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14435022-112180383458524179?l=seuorlandodapadaria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://seuorlandodapadaria.blogspot.com/feeds/112180383458524179/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14435022&amp;postID=112180383458524179&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14435022/posts/default/112180383458524179'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14435022/posts/default/112180383458524179'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://seuorlandodapadaria.blogspot.com/2005/07/allons-enfants-de-la-daslu.html' title='Allons enfants de la Daslu'/><author><name>Orlando</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14435022.post-112174836757208920</id><published>2005-07-19T01:44:00.000-03:00</published><updated>2005-07-19T01:46:07.576-03:00</updated><title type='text'>O segredo do porém</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:verdana;color:#000000;"&gt;Os manda-chuvas dizem:&lt;br /&gt;Há 40 milhões de brasileiros na miséria, porém a moeda é estável.&lt;br /&gt;Porém – e sempre existe um porém, como dizia o caro amigo Plínio Marcos -, esta adversativa ficava melhor assim, ou pior:&lt;br /&gt;A moeda é estável, porém há 40 milhões de brasileiros na miséria.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14435022-112174836757208920?l=seuorlandodapadaria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://seuorlandodapadaria.blogspot.com/feeds/112174836757208920/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14435022&amp;postID=112174836757208920&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14435022/posts/default/112174836757208920'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14435022/posts/default/112174836757208920'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://seuorlandodapadaria.blogspot.com/2005/07/o-segredo-do-porm.html' title='O segredo do porém'/><author><name>Orlando</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14435022.post-112171857857571023</id><published>2005-07-18T17:27:00.000-03:00</published><updated>2005-07-18T17:29:38.580-03:00</updated><title type='text'>Momento Tostines</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:verdana;color:#000000;"&gt;Morre-se de tanto beber ou bebe-se de tanto morrer?&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14435022-112171857857571023?l=seuorlandodapadaria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://seuorlandodapadaria.blogspot.com/feeds/112171857857571023/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14435022&amp;postID=112171857857571023&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14435022/posts/default/112171857857571023'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14435022/posts/default/112171857857571023'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://seuorlandodapadaria.blogspot.com/2005/07/momento-tostines.html' title='Momento Tostines'/><author><name>Orlando</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14435022.post-112139214601701641</id><published>2005-07-14T22:47:00.000-03:00</published><updated>2005-07-14T22:49:06.020-03:00</updated><title type='text'>Daslúbio</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:verdana;color:#000000;"&gt;Eu também quero minha mala para ir à Daslú.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14435022-112139214601701641?l=seuorlandodapadaria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://seuorlandodapadaria.blogspot.com/feeds/112139214601701641/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14435022&amp;postID=112139214601701641&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14435022/posts/default/112139214601701641'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14435022/posts/default/112139214601701641'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://seuorlandodapadaria.blogspot.com/2005/07/daslbio.html' title='Daslúbio'/><author><name>Orlando</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14435022.post-112126216535173063</id><published>2005-07-13T10:31:00.000-03:00</published><updated>2005-07-13T10:42:45.356-03:00</updated><title type='text'>O leite sabe</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:verdana;color:#000000;"&gt;Esta manhã tomei uma decisão importante: não tomarei mais leite. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;Estava tentando, inutilmente, cuidar para que o leite da panela não fervece sem o meu consentimento se espalhando pelo fogão. E foi então que tive a aterrorizante confirmação: o leite sabe quando você está olhando para ele e não ferve. Basta você virar as costas e ele ferve. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;Entendam isso, se você está com um copo de leite na mão, mesmo que ele esteja gelado, se você virar para o lado, ele ferve na sua mão.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;color:#000000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;color:#000000;"&gt;Por isso parei de tomar leite. Eu acho uma heresia tomar alguma coisa que seja superior a mim.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14435022-112126216535173063?l=seuorlandodapadaria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://seuorlandodapadaria.blogspot.com/feeds/112126216535173063/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14435022&amp;postID=112126216535173063&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14435022/posts/default/112126216535173063'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14435022/posts/default/112126216535173063'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://seuorlandodapadaria.blogspot.com/2005/07/o-leite-sabe.html' title='O leite sabe'/><author><name>Orlando</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14435022.post-112126149275563260</id><published>2005-07-13T10:14:00.000-03:00</published><updated>2005-07-13T10:31:32.760-03:00</updated><title type='text'>Conspiração no ar</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:verdana;color:#000000;"&gt;Começo a desconfiar de uma mega conspiração envolvendo o Brasil e os EEUU. De acordo com os fatos (vide  &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www1.folha.uol.com.br/folha/pensata/ult681u169.shtml"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;color:#3333ff;"&gt;http://www1.folha.uol.com.br/folha/pensata/ult681u169.shtml&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:verdana;color:#000000;"&gt; ) não tenho dúvidas de que a CIA está por trás disso. Burrice? Não, não pode ser, extrapola.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14435022-112126149275563260?l=seuorlandodapadaria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://seuorlandodapadaria.blogspot.com/feeds/112126149275563260/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14435022&amp;postID=112126149275563260&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14435022/posts/default/112126149275563260'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14435022/posts/default/112126149275563260'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://seuorlandodapadaria.blogspot.com/2005/07/conspirao-no-ar.html' title='Conspiração no ar'/><author><name>Orlando</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14435022.post-112123454732952428</id><published>2005-07-13T02:54:00.000-03:00</published><updated>2005-07-13T03:04:43.506-03:00</updated><title type='text'>Xícara ou Chícara?</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;color:#000000;"&gt;É – já contei – prenúncio de crise, dúvida anunciadora de colapso: "Xícara, escreve-se com xis ou ch?" Tento, então, o recurso estético, avaliar como fica mais bonito: com xis, é feio; mais bonito com ch, chícara, com alcinha para pegar. Na dúvida, rendo-me: o cansaço chegou. Logo, há perigo. Ora, era sobre o xis e o ch que eu filosofava, quando li o artigo do Paulo Pereira da Costa sobre a cota de negros. Tremi. O Paulo cronista e o dr. Paulo, promotor de Justiça, acreditam nos valores democráticos. E fazem bem. Mas há, em funcionamento, diversas formas de democracia: a de verdade, a de conveniência, a para inglês ver. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;color:#000000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;color:#000000;"&gt;Meus mil anos de experiência – e de janela – anteviram confusão. Democratas se esquecem de duas armadilhas perigosas: o "pensamento único" e o "politicamente correto", eficazes instrumentos de idiotização coletiva. A Santa Inquisição é brincadeira perto das novas fogueiras. Ou se aceita o dogma ou se é jogado aos leões e à lenha. Pensar é crime. Refletir é pecado. Discordar é afronta. Dialogar, o que é isso mesmo? Os melhores democratas estão sempre na oposição. Quando no poder, descobrem o relho e gostam de usá-lo. A sabedoria bíblica não falha: "vinho novo em barris velhos". Na oposição, a força do argumento. No poder, o argumento da força. Nada há de novo no front. Em democracias "para inglês ver", a inteligência é soterrada. Vale a força. Ai do atrevido que discordar dos tocadores de bumbos, das procissões nas ruas: gays, feministas, índios, negros, sem terra, sem teto, sem-indenização-da-ditadura. E dos que defendem o aborto, a maconha, a descriminalização das drogas, regulamentação da prostituição, ou os que colocam, no mesmo balaio, pedras, plantas, gente e animais. Ai, até, de quem não apreciar forró, axé, barulho, grosseria, palavrão, pornografia, pornofonia, incivilidade. E ousar discutir contracultura, casamento homossexual, legalização da prostituição, do bingo, do jogo do bicho. Ah! esses fascistas, nazistas, elitistas, privilegiados que ousam refletir ou dialogar ou discutir. Ou apenas pensar. Os dogmas estão postos. Quem ousar apenas discuti-los há que ser execrado. A inteligência atrapalha. De cansaço, fiquei quieto. Minha dúvida era crucial: chícara ou xícara? Pensei no velho amigo, um cinqüentão cobiçado por mulheres que ainda gostam de homens. Divorciado, atleta, amante de jazz, com casa na praia e na montanha, ele se sente descriminado, à margem. "Vou lutar por meus direitos. Pertenço à minoria. Sou branco, rico, bonito e macho." Fiquei em dúvida: macho ou maxo? Seja como for, Deus o ajude. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;color:#000000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;color:#000000;"&gt;Hoje, sinto-me melhor. De sexta a domingo, dormi doze horas diárias, milagre dos céus. Já escrevo xícara com xis. Enxergo tudo lindo, lindíssimo: esse mundo cinzento, gelado, chuvoso, com raios e trovoadas, a humanidade correndo pelas ruas, atropelando-se, xingando, bufando, brigando. No meu canto, sinto-me lépido, fagueiro, agradável, leve, gentil, galante, quase arrisco dizer que deleitável e desfrutável, só não me digo gostoso para não atiçar mentes maliciosas. Descansado, o mundo e eu somos e estamos bem-vindos um ao outro: "bem-vindos como a primavera, como as rosas de maio, como as chuvas de setembro" –– conforme, antes, poetas poetavam. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;color:#000000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;color:#000000;"&gt;Se são brancos, brancos que se entendam. E se negros, negros que se entendam. E que meu amigo lute pelos minoritários –– brancos, ricos, bonitos e machos. Paz na terra. Que eu vou dormir mais um pouco. Bom dia.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14435022-112123454732952428?l=seuorlandodapadaria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://seuorlandodapadaria.blogspot.com/feeds/112123454732952428/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14435022&amp;postID=112123454732952428&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14435022/posts/default/112123454732952428'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14435022/posts/default/112123454732952428'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://seuorlandodapadaria.blogspot.com/2005/07/xcara-ou-chcara.html' title='Xícara ou Chícara?'/><author><name>Orlando</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
